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Direito e JustiçaSão Tomé e Príncipe

PR reage à detenção do seu conselheiro sueco

Danilson Gomes
27 de fevereiro de 2026

Carlos Vila Nova afirma que, à data da nomeação, o cidadão sueco apresentou certificado sem antecedentes criminais. Académico considera que a reação presidencial foi tardia, mas ajudou a reduzir a tensão social.

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São Tomé e Príncipe PR Carlos Vila Nova
Carlos Via Nova, Presidente de São Tomé e PríncipeFoto: Ramusel Graça/DW

O Presidente da República de São Tomé e Príncipe (STP), Carlos Vila Nova, afirmou que o seu ex-conselheiro especial sueco, Stig Karl-Magnus Carlsson, "tinha registo criminal limpo” à data da nomeação, reagindo à polémica gerada após a detenção do cidadão estrangeiro, procurado pela Interpol.

Carlsson foi nomeado a 4 de dezembro de 2025 como conselheiro especial do Chefe de Estado, com a missão de colaborar em projetos nas áreas da saúde e da segurança marítima no Golfo da Guiné. Dias antes de ser detido, acabou por ser exonerado das funções.

"Registo criminal limpo”

Em conferência de imprensa realizada a 25 de fevereiro, Carlos Vila Nova esclareceu que, no processo de nomeação, foi apresentado um certificado de registo criminal emitido pelas autoridades suecas a 2 de outubro de 2025.

Segundo o Presidente, o documento não continha qualquer referência a condenações ou antecedentes criminais.

"No registo criminal nada constava com a pessoa em causa, ou seja, o mesmo tinha um registo criminal limpo, do qual não constava qualquer referência a eventuais condenações”, afirmou.

O Chefe de Estado acrescentou que a exoneração ocorreu imediatamente após o surgimento de informações que indicavam o eventual envolvimento do então conselheiro em crimes como ofensas corporais graves, detenção e uso de armas proibidas e violação sexual agravada.

Vila Nova sublinhou ainda que o caso deve seguir os trâmites legais e reiterou o princípio da presunção de inocência.

Organização da Polícia Criminal Internacional – Interpol - Logo
A Interpol já procurava o assessor do PR de São Tomé e Príncipe há algum tempoFoto: Roslan Rahman/AFP

"A justiça continuará a fazer o seu trabalho para o esclarecimento cabal daquilo que envolve o cidadão. Ele tem direito à presunção de inocência enquanto não for condenado”, declarou.

O Presidente admitiu também a possibilidade de apresentar queixa-crime contra entidades e indivíduos que, segundo disse, aproveitaram o caso para difamar a sua imagem e difundir informações falsas.

Reação presidencial considerada tardia

O académico são-tomense Liberato Moniz considera, no entanto, que a reação do Presidente foi tardia, apesar de reconhecer que contribuiu para reduzir a tensão social: "Era algo muito grave e que deveria merecer uma resposta rápida".

"Esta reação vem agora amenizar os ânimos, porque havia muita gente revoltada e indignada por nao saber a razão do Presidente da República ter um conselheiro com essa marca tão grave”, afirmou.

Para o analista, o momento exige maior transparência institucional, defendendo a divulgação pública do registo criminal apresentado à data da nomeação: "O que se deve fazer agora é tornar público esse registo para dissipar todas as dúvidas e permitir que as entidades judiciais prossigam até ao fim, para que tudo fique devidamente esclarecido”.

O cidadão sueco foi detido no domingo, num hotel na ilha do Príncipe, numa operação conduzida pela Polícia Judiciária são-tomense, na sequência de um mandado internacional emitido pela Interpol.

Na tarde de segunda-feira (23.02), foi encaminhado ao Ministério Público, onde decorrem os procedimentos legais para a sua audição e consequente extradição. Ex-conselheiro do PR são-tomense detido por violação sexual grave e outros crimes.

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