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Petróleo, agricultura e minérios sustentam Angola em 2022

Lusa
22 de janeiro de 2022

Previsão é do economista-chefe do Banco Fomento Angola, que aponta para crescimento económico entre os 3% e os 4%. José Miguel Cerdeira acredita que eleições não devem trazer uma derrapagem orçamental significativa.

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Angola Luanda | Ausblick und Perspektiven
Foto: Manuel Luamba/DW

O economista-chefe do Banco Fomento Angola (BFA) considera que o petróleo, a agricultura e os minérios serão os motores que vão sustentar o crescimento de Angola este ano. "Em 2022 haverá essencialmente três motores a puxar pela economia angolana, apesar das fragilidades existentes, devido ao impacto dainflação na queda do poder de compra das famílias, nestes anos de recessão até 2020", afirma José Miguel Cerdeira.

Em entrevista à agência de notícias Lusa, este sábado (22.01), para perspetivar a evolução da economia de Angola, o economista que lidera o Gabinete de Estudos Económicos do BFA disse que a estimativa do banco aponta "para um crescimento em 2022 entre os 3% e os 4%, no global, sendo mais forte do lado não petrolífero, e menos forte do lado petrolífero".

O aumento dos preços do petróleo que se verifica no início deste ano, consistentemente acima dos 80 dólares por barril, origina "mais divisas, e mais folga nas contas do Estado", o que, pela via cambial, potencia "um Kwanza mais forte, estável, com confiança para investidores e consumidores e aumento do poder de compra".

Para além do petróleo, o BFA estima que outros dois setores vão continuar a sustentar o crescimento da economia não petrolífera: "a agricultura, em que há crescimento homólogo já há 10 trimestres consecutivos, e começa a observar-se muitos investimentos e maior crédito, e o sector mineiro, onde vemos alguns novos investimentos também fora do setor dos diamantes".

Angola Ölförderung vor der angolanischen Küste
Foto de arquivo: Plataforma da Total na costa angolana.Foto: Getty Images/AFP/M. Bureau

Economia a recuperar o que perdeu na pandemia

Questionado sobre se considera que a economia saiu da recessão já no final do ano passado, José Miguel Cerdeira respondeu que "sim, sobretudo fora do setor petrolífero, estando a caminho de recuperar o que perdeu na pandemia". 

O crescimento, acrescentou, "terá sido ligeiro, mas sobretudo devido a esta questão contabilística do PIB petrolífero, em que se dá o fenómeno curioso de Angola produzir menos barris de petróleo (que leva o PIB para baixo), mas o preço subiu muitíssimo -- o setor produziu mais receitas, mais divisas, mais impostos, e isso tem efeitos positivos no resto da economia".

Questionado sobre a evolução da moeda angolana e as previsões para este ano, José Miguel Cerdeira lembrou que o kwanza ganhou 17,1% ao dólar e 26,7% ao euro no ano passado, depois de vários anos a perder terreno e a diminuir o poder de compra dos angolanos.

Währung von Angola - Kwanza
Kwanza ganhou 17,1% ao dólar, no ano passado.Foto: Imago Images/Panthermedia/Johan

"A nossa expectativa para 2022 é ainda algo incerta, mas esperamos uma pressão para apreciação, ou seja, que o Kwanza ganhe valor no primeiro semestre, que esperamos reverter-se na segunda metade do ano; no global, achamos que as pressões para o Kwanza ganhar valor serão iguais ou maiores que as pressões para perder valor, mas prevemos relativa estabilidade", disse o economista, salientando, ainda assim, que "esta perspetiva depende de um preço do barril um pouco acima dos 70 dólares, em média, pelo que se o preço estiver permanentemente acima dos 80 dólares, a pressão para que o Kwanza aprecie vai ser mais forte do que a nossa expectativa atual".

Eleições não devem trazer derrapagem

Quanto às eleições, o economista-chefe do Banco Fomento Angola não espera uma derrapagem significativa nas contas públicas em Angola. "É comum, em muitas economias, que haja um pouco menos de contenção orçamental em anos eleitorais; porém, diria que 2022 provavelmente não se comparará a 2017, o ano eleitoral anterior", disse José Miguel Cerdeira.

O responsável pelo gabinete de estudos económicos do BFA admitiu que "ocorram alguns gastos para além dos limites, mas para atingir o mesmo défice de 2017 este ano, tinha que se gastar o triplo do orçamentado em investimento público, por exemplo, o que não é credível que aconteça".

Angola Wahl João Lourenço
Foto de arquivo: João Lourenço nas eleições de 2017.Foto: Getty Images/AFP/A. Rogerio

Nesse ano em que João Lourenço sucedeu a José Eduardo dos Santos, "Angola teve um défice das contas públicas de 6,1% do PIB, ou seja, um desempenho pior, mesmo excluindo o gasto referente ao pagamento de juros da dívida pública", o que faz com que, considerando apenas despesa e receita referente ao próprio ano, Angola tenha registado um défice primário de 2,9% do PIB, que contrasta com o saldo nulo previsto para este ano que, excluindo juros, será um saldo primário positivo de 5,5% do PIB", explica o economista.

Reformas no cadastro imobiliário e Segurança Social

Sobre o ritmo de implementação das reformas, José Miguel Cerdeira admite que, "em certos casos, as reformas têm tendência em abrandar em anos eleitorais, principalmente as mais impopulares ou também de médio e longo prazo", vincando, por isso, que "será interessante perceber o rumo das reformas daqui em diante".

Em concreto, aponta: "Seria muito estruturante para Angola podermos assistir a mais progressos a nível do cadastro imobiliário, e principalmente no estabelecimento de um sistema de Segurança Social mais eficiente, que pudesse ir de encontro às expectativas dos angolanos de uma melhor rede de proteção social estatal, que seriam as iniciativas que poderiam ter mais impacto na melhoria das condições económicas e sociais dos angolanos".