Patrice Lumumba foi assassinado há 50 anos | NOTÍCIAS | DW | 20.04.2011
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NOTÍCIAS

Patrice Lumumba foi assassinado há 50 anos

Na opinião de muitos, Lumumba foi neste meio século, o único político honesto e íntegro da República Democrática do Congo, o antigo Congo belga - um país rico, corroído por guerras, corrupção e caos

Fotograf Horst Faas - Patrice Lumumba (AP)

Lumumba após a sua detenção, em 1960 - uma das últimas fotos do jovem político

50 anos depois do crime, ativistas dos direitos humanos querem que 12 cidadãos belgas, suspeitos de terem sido por ele responsáveis, sejam julgados em tribunal, por crimes de guerra. Depois da morte de Lumumba, os EUA e a Bélgica apoiaram durante 32 anos o ditador Mobutu Sese Seko, porque viam nele um bastião contra o avanço do comunismo em África. Em 1997 Mobutu foi derrubado.

Mobutu

Mobutu foi durante décadas apoiado pelo ocidente

Jovens belgas com raízes congolesas

“Telema pona Kongo” – “levantamo-nos pelo Congo” cantam estes jovens congoleses que vivem na Europa mas conservam viva a memória das suas raízes. Eles não esquecem Patrice Lumumba, o primeiro chefe de governo livremente eleito depois do país se ter tornado independente da antiga potência colonial, a Bélgica. Ele foi assassinado porque denunciava os crimes cometidos durante a época colonial e porque não queria que o seu país fosse explorado e saqueado. Por isso não chegou a estar um ano no lugar de primeiro ministro:

“Os livros escolares na Bélgica falam pouco do que se passou ou então deturpam mesmo os factos. Patrice Lumumba foi assassinado e a Bélgica esteve envolvida no crime. Os jovens belgas, sobretudo os que têm raízes congolesas, exigem que se esclareça publicamente o que aconteceu e se diga quem foi de facto Lumumba”.

Patrice Lumumba

Dezembro de 1960. Patrice Lumumba (à direita) é transportado para Leopoldville, depois de ter sido preso pelas tropas do Coronel Mobutu, quando tentava fugir para Stanleyville.

O crime vai ser julgado na Bélgica

Isabelle Minnon, uma descendente de congoleses, trabalha em Bruxelas numa organização não-lucrativa e exige, como muitos outros, que se faça justiça. Patrice Lumumba foi raptado e assassinado em 1961. Os seus ossos foram diluídos em ácido para que o seu túmulo não se tornasse um local de peregrinação. Agora, passado meio século, os responsáveis poderão ir a tribunal. Christophe Marchand é um dos advogados da familia Lumumba:

“Somos advogados dos três filhos e da viúva, conhecida por Mãe Paulina. Todos vivem no Congo e encarregaram-nos de apresentar queixa no tribunal contra os assassinos do seu pai. Eles querem que seja aberto um processo”.

O processo já deveria ter sido aberto há mais tempo, mas o caso é complicado. Os fatos indicam que a casa real da Bélgica poderá ter estado envolvida no crime; o mesmo se diga dos serviços secretos norte americanos e alemães ocidentais. Crê-se que um dos assassinos vive atualmente aqui na Alemanha. Mas a queixa só é apresentada contra os belgas que ainda estão vivos:

“Ainda estão vivos, 12 ou 13, talvez 14. Têm entre 75 e 90 anos. Bastante velhos, portanto”.

Slideshow zur Belgischen Kolonialvergangenheit Congo Belge Flash-Galerie

O rei Balduíno da Bélgica é acolhido em 1960 pelo presidente Joseph Kasa-Vubu e pelo primeiro ministro Lubumba (ao centro) para as cerimónias da independência do novo país.

Lumumba é um herói africano

Hoje em dia Patrice Lumumba é um herói africano. Em festas populares Isabelle Minnon vende t-shirts com a sua fotografia, semelhantes às que se vendem com Che Guevara:

“As t-shirts com Lumumba, parecidas com as de Che Guevara, os auto-colantes e pins, tudo isso são coisas que ajudam os mais novos a cooperarem nesta campanha – aqui na Bélgica, como no Congo”.

Autor: Carlos Martins
Revisão: António Rocha

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