Papa condena na Guiné Equatorial "colonização" dos minerais
22 de abril de 2026
Multidões entusiásticas no país maioritariamente católico alinharam‑se ao longo da estrada desde o aeroporto até à capital, Malabo, para saudar o primeiro Papa a visitar a Guiné Equatorial desde João Paulo II, em 1982.
O pontífice criticou a "colonização" dos recursos minerais africanos e a desigualdade social num país onde, apesar da riqueza petrolífera, mais de metade da população vive na pobreza.
A antiga colónia espanhola, situada na costa ocidental de África, é governada pelo Presidente mais antigo do continente, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, de 83 anos, acusado de corrupção e autoritarismo.
A descoberta de petróleo offshore em meados da década de 1990 transformou a economia da Guiné Equatorial. Atualmente, o petróleo representa mais de 90% das exportações do país. No entanto mais de metade dos quase dois milhões de habitantes vive na pobreza.
Organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram que as receitas do petróleo enriqueceram sobretudo a família Obiang, em vez de beneficiarem a população em geral.
O Papa apelou às autoridades para removerem obstáculos ao desenvolvimento humano e defendeu um modelo assente na justiça social, solidariedade e dignidade humana, destacando também o papel da sociedade civil e da Igreja na defesa dos direitos fundamentais.
Críticas às desigualdades
Proveniente de Angola, o Papa aterrou ontem no aeroporto de Malabo, onde foi recebido pelo Presidente Teodoro Obiang e pela primeira-dama, juntamente com autoridades civis e religiosas.
Leão XIV manteve uma audiência, no Palácio Presidencial, com Obiang, dirigino‑se depois a autoridades governamentais, diplomatas e representantes da função pública.
Assinalando que o encontro coincidiu com o primeiro aniversário da morte do Papa Francisco, citou o seu antecessor para denunciar as desigualdades de rendimento, agravadas por uma economia global centrada na busca do lucro a qualquer custo.
"É hoje ainda mais evidente que a proliferação de conflitos armados é frequentemente impulsionada pela colonização de jazidas de petróleo e minerais, sem qualquer respeito pelo direito internacional ou pela autodeterminação dos povos", disse o líder da Igreja Católica.
Última etapa da visita a África
Esta quarta-feira, o Papa desloca-se à região continental, com uma primeira paragem em Mongomo, onde celebrará uma missa na Basílica da Imaculada Conceição da Virgem Maria, além de inaugurar o Centro Tecnológico Papa Francisco, cuja morte ocorreu há um ano.
O Bispo de Roma segue depois para Bata, onde visitará o Monumento de 7 de Março e a prisão. Manterá ainda um encontro com fiéis no estádio da cidade e visitará a catedral.
Posteriormente, regressará a Malabo, onde, na quinta-feira (23.04), celebrará uma missa campal no estádio da capital antes de partir para Roma.
Leão XIV é o segundo Papa a visitar a Guiné Equatorial. O primeiro foi João Paulo II, há 44 anos, e cuja viagem é recordada no país pela mensagem de paz e reconciliação.