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ANAMOLA pede apoio contra "genocídio político" em Moçambique

6 de julho de 2026

O ANAMOLA apela à solidariedade internacional contra o “genocídio político” em Moçambique, onde foram mortos 56 membros. Coordenadora do partido em Portugal diz que "não se pode fechar os olhos ao que está a acontecer".

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Venâncio Mondlane, presidente do partido ANAMOLA em entrevista à DW
Atual campanha do partido liderado por Venâncio Mondlane é "uma homenagem a todas as vítimas"Foto: DW

A campanha contra o "genocídio político" foi lançada por Venâncio Mondlane, líder do ANAMOLA, em resposta a uma situação considerada grave, que resultou no assassinato de cerca de 56 membros do partido e mais de 400 violações de direitos humanos, ocorridos desde agosto de 2025 em Moçambique. Em menos de um ano, foram também incendiadas mais de 150 casas.

A informação é confirmada por Joana Gemo, coordenadora do partido em Portugal, em entrevista à DW. "Entre os casos mais recentes está a morte do coordenador de Chimoio, na província de Manica, Anselmo Vicente. Isto veio reforçar a decisão de lançar esta campanha. Ela é também uma homenagem a todas as vítimas, que não apenas o Anselmo, e é um apelo por justiça, proteção e respeito pelos direitos fundamentais", destaca.

A morte de figuras do partido, como Anselmo Vicente, simboliza a gravidade da violência extrema registada no país, adianta a coordenadora do ANAMOLA, que considera a situação "extremamente grave", de acordo com os números registados durante as manifestações de protesto pós-eleitorais, "o que motiva o apelo nacional e internacional por [uma] investigação independente para a responsabilização e proteção das liberdades políticas", acrescenta.

Várias denúncias sobre violações

O partido de Venâncio Mondlane já fez várias denúncias sobre tais violações, acrescenta Joana Gemo: "Ele é uma pessoa que pauta pelo Direito e respeita bastante as instituições. É uma pessoa que segue as normas, segue as leis. Ele guia-se muito pela Constituição, mas não temos tido respostas satisfatórias."

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O tema foi também abordado na última Convenção Nacional do partido, realizado em Nampula. Segundo a coordenadora do ANAMOLA em Lisboa, a campanha está a ganhar crescente visibilidade fora de Moçambique.

"Sobretudo através da diáspora e [movimentos] de direito internacional e de solidariedade. Tem envolvido panafricanistas, académicos e ativistas em países como Estados Unidos, França, bem como outros apoiantes em Paris e noutras comunidades da CPLP", adianta.

"O mundo tem de nos ouvir"

Em Portugal, o partido vai continuar a endereçar cartas de apelo e apoio a várias entidades, nomeadamente os partidos com assento parlamentar. "Mas não vamos parar por aqui. Vamos continuar a divulgar [o apelo] junto de outras instituições [de defesa] dos direitos humanos. Aonde tivermos que ir, até o mais alto níve, se possível até às Nações Unidas. Nós temos que lutar até sermos ouvidos. Vamos até às últimas consequências", promete Joana Gemo.

Joana Gema adianta que, além desta campanha de sensibilização, o partido está a trabalhar na documentação e prova dos casos de violência, e a apoiar vítimas e famílias.

Além disso, leva a cabo ações de mobilização pacífica em defesa dos direitos humanos com o objetivo de garantir a justiça e restaurar o respeito pelo Estado de Direito em Moçambique. "Acho que já é chegada a altura de darmos um basta nisto. O mundo tem de nos ouvir", concluir.

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João Carlos Correspondente da DW África em Portugal