Nobel da Paz para primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 11.10.2019
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Internacional

Nobel da Paz para primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed

O prémio Nobel da Paz foi esta sexta-feira atribuído ao primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, promotor de um acordo de paz com a Eritreia, informou o Comité norueguês.

De acordo com o comunicado divulgado pelo júri, o prémio foi atribuído ao primeiro-ministro da Etiópia pelo "seu importante trabalho para promover a reconciliação, a solidariedade e a justiça social".  

O prémio também visa reconhecer "todas as partes interessadas que trabalham pela paz e reconciliação na Etiópia e nas regiões leste e nordeste da África", sublinha a nota. 

"Abiy Ahmed Ali iniciou importantes reformas que proporcionam a muitos cidadãos a esperança de uma vida melhor e de um futuro melhor", acrescenta o comunicado.  

O Comité Norueguês do Nobel acredita que é agora que os esforços de Abiy Ahmed merecem reconhecimento e precisam de incentivo, disse a presidente do comité, Berit Reiss-Andersen.

"Quando Abiy Ahmed se tornou primeiro-ministro, em abril de 2018, deixou claro que desejava retomar as negociações de paz com a Eritreia. Em colaboração com Isaias Afwerki, Presidente da Eritreia, Abiy Ahmed rapidamente elaborou os princípios de um acordo de paz para encerrar o impasse a longo prazo 'sem paz, sem guerra' entre os dois países", indica a nota.  

Esta manhã, após o anúncio, Abiy Ahmed agradeceu a distinção e dedicou-a  ao seu continente. "Sinto-me honrado e encantado. Muito obrigado, este foi um prémio dado à África e à Etiópia. Acho que outros líderes em África pensam que é possível trabalhar nos processos de construção da paz no nosso continente", disse.

"Uma Etiópia pacífica e estável"

O Comité Nobel norueguês espera que o Prémio Nobel da Paz fortaleça o primeiro-ministro Abiy no seu importante trabalho de paz e reconciliação. A Etiópia é o segundo país mais populoso da África e tem a maior economia da África Oriental.

"Uma Etiópia pacífica, estável e bem-sucedida terá muitos efeitos colaterais positivos e ajudará a fortalecer a fraternidade entre nações e povos da região. Com as disposições da vontade de Alfred Nobel em mente, o Comité Nobel da Noruega vê Abiy Ahmed como a pessoa que no ano anterior fez o máximo para merecer o Prémio Nobel da Paz em 2019", sublinha o comunicado.

Ouvir o áudio 02:56

Nobel da Paz para primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed

Também várias organizações de defesa de direitos humanos, que se foram expressando ao longo desta sexta-feira (11.10), pedem que o novo Prémio Nobel da Paz defenda e desenvolva as reformas que lhe valeram esta distinção. E frisam que "o trabalho de Abiy Ahmed está longe de terminar".  

Muitas reações

Muitas têm sido as reações ao anúncio do Prémio Nobel da Paz deste ano. Na sua conta do Twitter, o presidente da União Africana, Moussa Faki Mahamat escreveu que o primeiro-ministro da Etiópia é "100% ganhador" deste prémio Nobel pelos seus "esforços históricos“ no que à construção da paz" diz respeito. Esforços estes que Ulrike Demmer, porta-voz da chanceler alemã Angela Merkel, também lembrou.

"Mesmo para além da Etiópia, o primeiro-ministro tem uma influência positiva. Mais recentemente, mediou o [acordo] no vizinho Sudão e desempenhou um papel importante na concretização de uma mudança pacífica de poder", disse. 

Por seu lado, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse não ter dúvidas de que a  reconciliação da Etiópia com a Eritreia "abriu uma nova oportunidade para a estabilidade" na região. Também em comunicado, Federica Mogherini, chefe da diplomacia da União Europeia, reconheceu a "coragem" do primeiro-ministro etíope e afirmou que este mostrou que "a paz é sempre possível, mesmo após décadas de conflito".

Nas redes sociais, a nomeação não passou também em vão. Vários etíopes estão a mudar as suas fotos de perfil para a de Abiy Ahmed. O sentimento é de orgulho: "O nosso primeiro-ministro ganhou o Prémio Nobel da Paz, porque está a fazer as pazes com os nossos irmãos da Eritreia e levou a cabo várias reformas no país. A Etiópia era conhecida pela guerra e pela seca e, neste momento, todos os olhos estão postos em nós ganhámos o Prémio Nobel da Paz. Orgulho-me, pois, de ser etíope", disse o etíope Shimelis Gudeta.

O Nobel, que consiste num diploma, uma medalha de ouro e um cheque de nove milhões de coroas suecas (cerca de 830 mil euros), será entregue em Oslo a 10 de dezembro, aniversário da morte do fundador, o industrial e filantropo sueco Alfred Nobel (1833-1896).

No ano passado, o prémio foi atribuído ao médico congolês Denis Mukwege e à ativista de direitos humanos Nadia Murad devido aos esforços dos dois laureados para acabar com a violência sexual como arma nos conflitos e guerras de todo o mundo.  

Assistir ao vídeo 01:54

Nobel da Paz vai para primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed Ali

 

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