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Mortes em mina: Quando a pobreza se sobrepõe aos riscos

3 de fevereiro de 2026

Onze garimpeiros morreram num desabamento de terra numa mina em Vanduzi, província moçambicana de Manica. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito deslocou-se ao local. Autoridades apelam a responsabilidade no setor.

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Moçambique Manica 2025 | mineração descontrola põe em perigo o meio ambiente
Foto ilustrativa da mineração em Manica, MoçambiqueFoto: Bernardo Jequete/DW

Sebastião Ngoera, um dos vários garimpeiros que operam na mina que voltou a desabar há pouco mais de uma semana, disse que os mineiros têm estado a ignorar o decreto que proíbe a exploração artesanal por falta de emprego – acrescentando que a atividade é a única fonte de renda do grupo.

"Com a pobreza que nós temos, ninguém tem coragem de sair daqui sem ter dinheiro, enquanto por cima já tem racha. Quando cede, não avisa. Mesmo estando 20 pessoas ou 30 pessoas, todos morrem", explica.

Pelo menos, onze pessoas morreram no desabamento de terra na mina "Seis Carros", que tem mais de 20 metros de profundidade, no distrito de Vanduzi.

"Os meus amigos acabaram de morrer"

O garimpeiro conta que viu muitas pessoas a morrer: "Eu escapei e saí com a minha bagagem para fora. Mas os meus amigos acabaram de morrer."

Fenias Zacarias, outro garimpeiro, pede ao Governo para repor alguns poços mineiros que já não estão em uso, visando prevenir os acidentes que culminam com a morte de garimpeiros.

"Pedimos aos nossos chefes para colocarem aqui uma [máquina] para poder arranjar [a área] de forma a que as pessoas consigam viver. Estes garimpeiros estão a entrar no buraco só porque lá em casa estamos a morrer a fome", lamentou. 

Ex-primeiro ministro de Moçambique, Aires Bonifácio Aly
Aires Aly, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito Foto: Roberto Paquete/DW

Autoridades moçambicanas exigem responsabilidade

O secretário de Estado de Minas, Jorge Daúdo, anunciou a interrupção imediata das atividades naquela mina, alertando sobre os perigos da mineração artesanal.

"Há um trabalho que está a ser feito aqui para vos mapear, para criar cooperativas para resolver isso. Porque nós sabemos que muitos de vocês estão aqui e não é a intenção do Governo tirar as pessoas, mas não [podemos ter] aquilo que está ali a acontecer", salientou Daúdo.

O dirigente indagou: "Vocês estão a ver, as pessoas estão a morrer. Estão a usar práticas que não são admissíveis na atividade mineira, [estão] sem nenhuma proteção e estão a ceifar vidas dos nossos irmãos, estão felizes com isso?"

A Comissão Parlamentar de Inquérito, chefiada pelo deputado Aires Aly, deslocou-se à província de Manica para reavaliar a atividade mineira.

Depois da suspensão das atividades, o político da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, no poder), explicou que os deputados têm estado a acompanhar a situação da mineração em Manica, destacando a importância de que a atividade seja exercida de forma responsável e sustentável.

"Nós gostaríamos, no final, que a comissão pudesse produzir um relatório com constatações - mas também sobretudo com recomendações", afirmou Aly. 

O político garantiu: "O que nós queremos é que o país continue a crescer de uma maneira sustentável, observando a lei e as regras, fazendo com que aquilo que nós temos de bom, como os recursos naturais, traga riqueza para os moçambicanos." 

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