Moçambique: Congregação religiosa elucida sobre grau de violência em Cabo Delgado | Moçambique | DW | 26.11.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

Moçambique: Congregação religiosa elucida sobre grau de violência em Cabo Delgado

As Irmãs de São José, congregação religiosa presente em Mocímboa da Praia, relatam que "a situação na região está a deteriorar-se e as populações estão a abandonar as suas aldeias" no contexto dos ataques armados.

Aldeia de Mucojo, Cabo Delgado, incendiada por homens armados em meados de 2018

Aldeia de Mucojo, Cabo Delgado, incendiada por homens armados em meados de 2018

As Irmãs de São José, congregação religiosa presente em Macímboa da Praia, lembram que o norte de Moçambique vive, há dois anos, "num clima de medo e de insegurança", face aos ataques de homens armados não devidamente identificados contra as populações.

Segundo Katia Rejane Saci, uma freira da congregação que acompanhou em outubro a conselheira geral das Irmãs de São José, Maraelena Aceti, numa visita a Mocímboa da Praia, "poderes ocultos" querem "impor os seus próprios interesses, matando pessoas, incendiando aldeias e semeando destruição por toda [a] parte". 

"Pelo caminho até Mocímboa da Praia, [os] nossos olhos viram as marcas da destruição do ciclone Kenneth e dos ataques por grupos armados", relatou a irmã Katia Saci, citada numa nota da Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre).

Rastro de destruição

Para a fundação, o testemunho da religiosa, publicado na página da Internet da congregação, "elucida o grau de violência, destruição e medo que atingiu esta zona de Moçambique desde 2017, quando tiveram início os ataques armados que já provocaram cerca de 300 mortos, milhares de deslocados e um rasto impressionante de destruição com aldeias praticamente reduzidas a escombros".

Mosambik Mocímboa da Praia

Mocímboa da Praia é um dos alvos preferenciais dos homens armados

No dia 16 de novembro, "registou-se mais um desses ataques, desta vez em Miangalewa, no distrito de Muidumbe, na província de Cabo Delgado. O balanço é, uma vez mais, trágico: três mortos, casas queimadas, destruição de alfaias agrícolas", refere a Fundação AIS.

População abandona as suas casas

Para esta instituição, a situação levou já a um alerta do bispo de Pemba, Fernando Luís Lisboa. O prelado, citado na mesma nota, avisa que "o inimigo não tem rosto" e, apesar da presença das forças de segurança, "os ataques continuam de forma violenta".

A Fundação AIS adianta que, apesar de o bispo não identificar os atacantes, "há uma crescente convicção de que a região norte de Moçambique estará na mira de grupos 'jihadistas'". 

A instituição, em setembro, dava conta de que o autoproclamado Estado Islâmico tinha reivindicado pela primeira vez um ataque ao que classificou como sendo "uma vila cristã". "As localidades de Mbau, Quitejaro e Cobre foram, entretanto, alvo de ataques reivindicados também pelos 'jihadistas'", salienta a fundação.

Leia mais