Moçambique: Alunos queixam-se de extorsão para ir às aulas em Inhambane | Moçambique | DW | 28.03.2022

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

Moçambique: Alunos queixam-se de extorsão para ir às aulas em Inhambane

Encarregados de educação em Inhambane dizem que as escolas estão a exigir dinheiro aos alunos para pagar aos guardas dos estabelecimentos. Algumas crianças são impedidas de ir às aulas por falta de pagamento.

Pais e encarregados da educação da província de Inhambane denunciam casos de extorsão em escolas primárias e secundárias. Segundo várias fontes ouvidas pela DW, os estabelecimentos de ensino estão a exigir dinheiro aos alunos para pagar aos guardas. Várias crianças que não pagam a "taxa", dizem os pais, estão a ser impedidas de frequentar as aulas.

Manuel Paulino, aluno da Escola Secundária de Massinga, relata que perdeu as aulas durante uma semana porque o pai não tinha dinheiro para pagar a quantia exigida para pagar aos vigilantes.

Mosambik | Schule in Massinga

Escola Secundária 29 de Setembro, em Massinga

"Não assisti às aulas na semana passada por não ter pago o dinheiro do guarda", conta. "Cada aluno deve pagar duzentos meticais [cerca de três euros]. Só esta semana é que voltei [à escola], porque já consegui pagar", acrescenta.

Crianças mandadas para casa

Benedita Filimone Zualo, encarregada de educação na cidade de Maxixe, lamenta a situação das cobranças ilícitas nas escolas e afirma que o seu neto já regressou das aulas por falta de dinheiro.

"Ele saiu da escola e de imediato voltou. Disse: 'Avó, querem dinheiro do guarda'. Eu disse: 'Vai para escola, porque de momento não tenho para te dar'. E ele disse: 'não me vão deixar entrar na sala'", refere à DW.

Caetano Filipe, aluno também em Inhambane, conta que lhe foi dado um prazo na escola para poder regular a situação do pagamento aos guardas. "Dizem que temos um prazo de quinze dias para pagar os duzentos meticais, depois eles vão dar-nos um recibo para que na entrada o guarda possa ver e permitir a entrada", afirma.

Santos Sevene, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação no distrito de Maxixe, critica a cobrança nas escolas, que a seu ver não é adequada face às dificuldades das famílias. 

"O carácter obrigatório de pagar ao guarda não está estipulado. Cada escola tem o seu valor a pagar aos guardas durante um ano. Olhemos [para os casos] de alguns pais com seis, cinco ou quatro filhos, outros nem trabalham e é difícil para eles", censura.

Mosambik | Schüler der Sekundarstufe in Massinga

Taxa extraordinária é difícil para os encarregados de educação com famílias mais numerosas

Orçamentos limitados

Roberto Zunguze, diretor dos serviços distritais de Educação em Massinga, diz que os fundos de apoio diretos para as escolas que têm recebido através do Governo central são poucos.  

"O orçamento não tem sido suficiente para as atividades das escolas", explica. 

Roberto Zunguze confirma que é cobrada uma taxa extra aos alunos, que serve para pagar os salários dos guardas-vigilantes.

"De nenhuma forma o aluno deve perder as aulas porque o pai não conseguiu honrar com aquilo que é o compromisso comunitário", ressalva.

Em média, uma turma tem 60 alunos. Cada escola tem 30 turmas cada, sendo o total 90 turmas em Inhambane. O valor médio de contribuição é de 100 meticais, cerca de 1 euro por aluno. A contribuição por turma é de seis mil, cerca de 80 euros, e a contribuição total 540 mil meticais, o equivalente a 8 mil euros. O salário anual de um guarda é de 60 mil meticais - cerca de 85 euros.
 

Assistir ao vídeo 01:47

Jovem deficiente arrasta-se cinco quilómetros para ir à escola

Leia mais