Marco Rubio apela à Europa que abrace agenda dos EUA
14 de fevereiro de 2026
A 62.ª Conferência de Segurança de Munique (MSC) prossegue este sábado (14.02) com uma agenda repleta de intervenções de líderes e representantes que marcam a atualidade internacional.
Um dos primeiros painéis foi "Europa: defender-nos sem os EUA?" numa altura em que os EUA tornam-se um parceiro cada vez menos confiável. Com os EUA a afastarem-se de acordos internacionais e ameaçando anexar território pertencente a um membro da NATO, as nações europeias têm ponderado maneiras de reduzir a dependência de Washington em matéria de segurança.
A discussão ocorreu pouco antes do discurso do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que alertou ontem os aliados europeus que uma “nova era” da geopolítica estava a começar.
Rubio: Os EUA e a Europa pertencem um ao outro
Em Munique, o principal diplomata dos EUA começou por condenou os "erros" cometidos tanto pelos EUA como pelos seus aliados europeus ao permitirem que a soberania nacional se desmoronasse — referências veladas à dependência económica de países como a China e à imigração em massa.
"Cometemos esses erros juntos e, juntos, devemos ao nosso povo enfrentar esses factos e seguir em frente. Estamos preparados, se necessário, para fazer isso sozinhos. Mas preferimos fazê-lo juntos", frisou.
Ainda durante o discurso, Marco Rubio falou várias vezes sobre a "fé cristã comum" entre os EUA e a Europa e chamou o seu país de "filho da Europa", sem fazer referência às comunidades indígenas, afro-americanas e imigrantes que moldaram a cultura dos EUA.
Em seguida, afirmou que a "imigração em massa" está a desestabilizar os países ocidentais.
Também observou que Washington quer "aliados que possam defender-se" tão bem que os inimigos fiquem com medo de atacar, tendo anteriormente acusado outras nações ocidentais de terem medo de lutar por si próprias.
"Não sabemos se os russos estão a falar a sério sobre a paz"
Sobre a guerra na Ucrânia, Marco Rubio sublinhou que, embora a paz continue distante, "houve progressos".
Durante uma sessão de perguntas e respostas após o seu discurso, o Secretário de Estado dos EUA disse ao anfitrião da MSC, Wolfgang Ischinger, que, após várias rondas de negociações mediadas pelos EUA entre a Rússia e a Ucrânia, "as questões foram reduzidas".
Rubio admitiu que os EUA "não sabem se os russos estão realmente empenhados em acabar com a guerra — eles dizem que sim", mas reconheceu que há dúvidas sobre os termos em que a Rússia acabaria com a guerra "e se podemos encontrar termos que sejam aceitáveis para a Ucrânia e com os quais a Rússia concorde".
Entretanto, o secretário de Estado dos EUA disse que Washington continua a pressionar através de sanções diretas e indiretas.
Diplomacia alemã elogia discurso de Rubio
Em entrevista à DW, em Munique, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, considerou o discurso de Rubio "positivo".
Wadephul classificou o discurso de Rubio como um contraste gritante com o do vice-presidente dos EUA, JD Vance, no ano passado. Na Conferência de Segurança de Munique do ano passado, Vance criticou duramente os aliados europeus e acusou-os de censura.
Wadephul disse que os EUA e a Europa estão "na mesma página", mas não "100% alinhados" em todas as questões. No entanto, de modo geral, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão disse que o discurso de Rubio destacou "um terreno comum para um futuro brilhante entre os Estados Unidos e a Europa".