″Madgermanes″ - O regresso frustrado dos antigos trabalhadores moçambicanos na ex-RDA | Moçambique | DW | 13.11.2009
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Moçambique

"Madgermanes" - O regresso frustrado dos antigos trabalhadores moçambicanos na ex-RDA

"Madgermanes" – por este nome são conhecidos os mais de 20.000 cidadãos moçambicanos que trabalharam temporariamente na RDA, a extinta Alemanha de Leste, e que regressaram a Moçambique depois da queda do muro em 1989.

Ouvir o áudio 10:42

"Madgermanes" - O regresso frustrado dos antigos trabalhadores moçambicanos na ex-RDA

Em 1987, 13 jovens pescadores de Moçambique receberam instruções sobre como trabalhar com motores na empresa estatal VEB Fischfang Rostock.

Em 1987, 13 jovens pescadores de Moçambique receberam instruções sobre como trabalhar com motores na empresa estatal VEB Fischfang Rostock.


20 anos depois da queda do muro de Berlim e 19 anos depois da reunificação da Alemanha, os "madgermanes" continuam a manifestar-se todas as quartas-feiras, no Jardim 28 de Maio, em pleno centro de Maputo.

Queixam-se da falta de apoio, por parte do governo moçambicano, e - sobretudo – reivindicam o pagamento das quantias em dinheiro – parte dos salários e contribuições para a segurança social - outrora transferido pelo governo da RDA para o governo de Moçambique...

Os "madgermanes" são considerados um dos grupos mais activos da sociedade civil moçambicana. Quem passa pelo Jardim 28 de Maio em Maputo vê várias bandeiras alemãs e – por vezes – ouve as vozes bem altas destes homens que reivindicam o que consideram os seus legítimos direitos.

O tratado entre a RDA e a República Popular de Moçambique

Estes 26 moçambicanos receberam uma formação de quatro anos na empresa VEG Tierproduktion Görlsdorf. Um dos primeiros passos foi a aprendizagem da língua alemã.

Estes 26 moçambicanos receberam uma formação de quatro anos na empresa VEG Tierproduktion Görlsdorf. Um dos primeiros passos foi a aprendizagem da língua alemã.


Foi no dia 24 de Fevereiro de 1979 – dez anos antes da queda do muro de Berlim: o Presidente do Conselho de Estado da República Democrática Alemã, Erich Honecker, visita Maputo e assina com as autoridades moçambicanas um acordo sobre o intercâmbio de trabalhadores contratados. Ambas as partes sublinham o carácter amigável e cooperativo deste tratado.

Mas há interesses específicos de ambos os lados: A parte moçambicana quer divisas para pagar o enorme déficit acumulado ao longo dos anos. Além disso, Moçambique espera que os trabalhadores formados na RDA voltem um dia a Moçambique e ajudem a levantar a economia destruída na guerra civil. A RDA, por sua vez, precisa urgentemente de mão-de-obra barata.

Os moçambicanos na Alemanha

João Nanelo de Moçambique na sala de máquinas da empresa têxtil Mittweida, próximo da cidade de Karl-Marx-Stadt (hoje Chemnitz) em 1987.

João Nanelo de Moçambique na sala de máquinas da empresa têxtil Mittweida, próximo da cidade de Karl-Marx-Stadt (hoje Chemnitz) em 1987.


Foram mais de 20.000 os moçambicanos que estiveram na Alemanha de Leste, no âmbito do acordo rubricado em 1979. Quando o muro caiu – em 1989 – 15.500 moçambicanos ainda se encontravam na Alemanha de Leste, trabalhando em 193 empresas. Mas, entretanto, muito tinha mudado: o Estado comunista tinha desmoronado – e com ele a economia socialista. Conclusão: Os trabalhadores moçambicanos já não eram necessários. Por isso, pouco antes da reunificação, a 28 de Maio de 1990, a RDA resolveu alterar o tratado com Moçambique.

Moçambicanas durante uma formação de indústria téxtil na empresa estatal VEB Frottana Großschönau (Löbau-Zittau) em Março de 1983

Moçambicanas durante uma formação de indústria téxtil na empresa estatal VEB Frottana Großschönau (Löbau-Zittau) em Março de 1983

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