″Luanda Leaks″: Angolanos pedem reforço de investigações a Isabel dos Santos | Angola | DW | 21.01.2020
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Angola

"Luanda Leaks": Angolanos pedem reforço de investigações a Isabel dos Santos

Luandenses ouvidos pela DW dizem que investigação "Luanda Leaks" é mais uma pista para a justiça angolana avançar com ações contra a empresária. Pedem que se evite uma "caça às bruxas" e que os tribunais trabalhem.

Isabel dos Santos continua a ser destaque em vários órgãos de comunicação social

Isabel dos Santos continua a ser destaque em vários órgãos de comunicação social

Cidadãos angolanos ouvidos pela DW África nas ruas de Luanda esperam que as autoridades judiciais reforcem o processo de investigação à empresária Isabel dos Santos, depois de terem o conhecimento do trabalho investigativo feito pelo Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação  (ICIJ), que analisou mais de 715 mil documentos relativos aos negócios da filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos. A principal conclusão do documento produzido pelo ICIJ é que décadas de corrupção e negócios sem escrúpulos fizeram Isabel dos Santos ser a mulher mais rica da África.

A filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos continua, assim, a ser matéria de destaque em vários órgãos de comunicação social e também motivo de conversa em diversos pontos do país, depois do Estado angolano decretar no fim do ano de 2019 o arresto preventivo dos bens de Isabel dos Santos e do seu marido Sindika Dokolo. Há suspeitas de esquemas financeiros irregulares envolvendo Isabel dos Santos.

Ouvir o áudio 02:31

Angolanos pedem reforço de investigações a Isabel dos Santos

Alguns luandenses garantem que o "Luanda Leaks" confirma apenas o que antes era visto como mera especulação e que o trabalho da ICIJ é mais uma pista para a justiça angolana avançar com ações contra ela. E esperam que a empresária angolana responda na justiça pelos atos que supostamente cometeu, num processo transparente, no eventualidade de se abrir um.

"Espero que esta investigação continue e sejam recolhidos factos verdadeiros. E que a justiça tome as medidas necessárias para que restabeleça a situação que anteriormente tínhamos na economia angolana", defende João Samoco, estudante de Direito da Universidade Agostinho Neto:

"Caça às bruxas" contra a família dos Santos

Para Hélder Muenho, morador do bairro de Viana, é necessário que o MPLA, o partido no poder, opte pelo diálogo ao invés de enveredar pelo que chama promoção de "caça às bruxas" contra a família de José Eduardo dos Santos. "O próprio MPLA devia sentar-se e criar um projeto de sociedade e pedir desculpas a todos os angolanos ao invés de fazer essas caças às bruxas", defende.

Hélder Muenho acha que é "injusto o que está ser feito a Isabel dos Santos, uma vez que ela não foi a única que desfalcou o erário. Há pessoas que agora exercem cargos públicos que também fizeram parte deste banquete."

Armando Carlos, jovem que também estuda Direito, está cético quanto à bandeira de governação do MPLA liderado por João Lourenço, mas espera que haja "justiça sem pressão" nos processos que envolvem Isabel dos Santos. "Acredito que o MPLA não tem moralidade para fazer uma campanha do tipo, porque quem começou a governar foi o MPLA e quem continua a governar é o MPLA. E o desfalque do Estado deve-se ao MPLA", sublinha.

Para o ardina Domingos Bailundo, as investigações provam que a fortuna de Isabel dos Santos não é fruto do negócio de ovos. Bailundo elogia a forma como o sistema de justiça está a funcionar e deixa um conselho à mulher que sonha ser Presidente de Angola: "Não creio que ela ficou rica vendendo ovos. Se, na verdade se ela enriqueceu de forma justa, que não fuja da justiça. Ela não deve ter medo."

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