Irão: Trump admite retirada de Ormuz e critica aliados
18 de março de 2026
Donald Trumpmostrou crescente irritação com a posição de países como França e Reino Unido, que têm rejeitado envolver-se na reabertura da via marítima estratégica, bloqueada pelo Irão na sequência dos ataques conjuntos de Washington e Israel.
Numa mensagem divulgada na rede Truth Social, Trump questionou o que aconteceria se os EUA deixassem de assegurar a estabilidade na região, sugerindo que os países que dependem da rota deviam assumir essa responsabilidade.
"Pergunto-me o que aconteceria se deixássemos que os países que utilizam o estreito fossem responsáveis", escreveu Trump, acrescentando que tal podia levar "aliados indiferentes" a agir rapidamente.
Recusa da NATO
Na terça-feira, o Presidente norte-americano classificou a recusa de vários membros da NATO de participar na reabertura do estreito como um "erro realmente estúpido", embora tenha também afirmado que a ajuda não ia ser essencial, sublinhando ainda que Washington "gostaria de alguma ajuda" na deteção de minas.
O estreito de Ormuz, bloqueado por Teerão no contexto do agravamento do conflito regional, é uma das principais artérias energéticas globais, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial e uma proporção semelhante de gás natural liquefeito.
Entretanto, as Forças Armadas norte-americanas realizaram ataques contra instalações iranianas fortificadas nas imediações do estreito, no quadro da escalada militar em curso.
NATO defende reabertura de Ormuz
Os aliados da NATO estão em contacto sobre a reabertura do estreito de Ormuz, afirmou esta quarta-feira, o secretário-geral da organização, Mark Rutte, a propósito da ameaça militar do Irão ao tráfego de petroleiros nesta passagem estratégica.
"Todos concordamos, claro, que o estreito precisa de ser reaberto. E o que sei é que os aliados estão a trabalhar em conjunto e a discutir como proceder, a melhor forma de alcançar este objetivo", afirmou Mark Rutte, em conferência de imprensa conjunta com os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa noruegueses, em Bardufoss, no norte da Noruega.
Rutte observou que a NATO declarou em diversas ocasiões que o Irão não possui capacidade nuclear nem capacidade para lançar mísseis balísticos, apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, já ser ter referido a essas alegadas ameaças como justificação para a ofensiva aérea conjunta com Israel contra a República Islâmica, lançada a 28 de fevereiro.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que respondeu com o encerramento do estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.