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Oposição denuncia "incompetência" do Governo guineense

Iancuba Dansó (Bissau)
22 de outubro de 2022

Oposição e sociedade civil guineenses denunciaram ontem "incompetência" do Governo na crise política e económica. Segundo o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil, está em causa coesão social no país.

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Parlament Guinea-Bissau
Foto: DW/B.Darame

A sociedade civil guineense alertou para "sérios problemas" no país, desde a "incapacidade" do Governo em resolver as greves nos setores da educação e da saúde, até à manipulação e instrumentalização política do sistema judiciário. 

Em comunicado, o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil da Guiné-Bissau denunciou a "tentativa inaceitável" de silenciar a Rádio Capital FM, por parte do Ministério da Comunicação Social, sob pretexto de incumprimento de medidas administrativas ilegais e arbitrárias.  

A Rádio Capital vandalizada em Bissau
A Rádio Capital FM, que se notabilizou pela forma aberta como questiona as autoridades e a classe política, foi vandalizada, pela segunda vez, em 7 de fevereiroFoto: Privat

As 28 organizações da sociedade civil também alertaram para aumento galopante contínuo dos produtos da primeira necessidade perante a inércia e falta de vontade política do Governo em adotar medidas compensatórias para mitigar os seus efeitos na vida dos cidadãos.

"Futuro complicado"

À DW África, o sociólogo Infali Donque diz que prevê um futuro cada vez mais complicado para a população. "Sinceramente, parece-me que o Estado está a fazer pouca coisa para inverter esta tendência. A cada dia que passa, a crise provocada pela subida de preços dos produtos no mercado está a agudizar-se", disse.

"Agora, podemos dizer que o pior virá. E isso é preocupante porque pode mexer com a coesão [social], a solidariedade e o próprio tecido social. Aliás, construir uma sociedade estável, ou se quisermos, a construção da paz, começa a partir [da garantia] do pão do dia a dia", acrescentou.

Membros do PAIGC, que integra, com a União para Mudança (UM), e outros partidos, o Espaço de Concertação dos Partidos Democráticos
Membros do PAIGC, partido que integra, com a União para Mudança (UM), e outros, o Espaço de Concertação dos Partidos DemocráticosFoto: Inacuba Danso/DW

Espaço de Concertação dos Partidos Democráticos

Também esta sexta-feira, o Espaço de Concertação dos Partidos Democráticos, que entre outros agrupa o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e a União para Mudança (UM) exigiu a demissão do Governo e a formação de um novo Executivo, capaz de realizar eleições legislativas.  

Os sete partidos criticaram a "incompetência" do Governo na preparação das legislativas antecipadas de 18 de dezembro, data que tinha sido indicada pelo Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló.

"[Exigimos] a demissão do atual Governo por ter demonstrado a sua total incapacidade e incompetência em organizar as eleições legislativas", apontaram. Também exigiram a "formação de um Governo com mandato limitado exclusivamente em organizar as eleições legislativas", além de "respeitar estrita e escrupulosamente a Constituição da República e demais leis em matéria eleitoral".

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Nuno Gomes Nabiam e o Presidente, Umaro Sissoco Embaló
O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Nuno Gomes Nabiam, e o Presidente, Umaro Sissoco EmbalóFoto: Ludovic Marin/AFP/Braima Darame/DW

"O que fez este Governo?"

O Espaço de Concertação dos Partidos Democráticos deixou ainda várias questões ao Executivo, liderado por Nuno Gomes Nabiam, e ao Presidente Sissoco Embaló. "O que fez este Governo com tanto tempo, mais de seis meses, que lhe foram dados para organizar as eleições legislativas?"

"A resposta é óbvia: Nada! Quando o chefe de Estado marcou a data das eleições legislativas, desconhecia as estações do ano na Guiné-Bissau? Quais os meses do período das chuvas e da lavoura? Qual é o orçamento global para a realização das eleições legislativas? Qual o percentual a ser assumido pelo Governo e o percentual assumido pelos parceiros de cooperação?", questionaram. 

Na semana passada, o ministro da Administração Territorial, Fernando Gomes, disse que a data de 18 de dezembro de 2022 era "impraticável" para a realização das eleições legislativas, frisando que essa também era a posição dos representantes dos partidos políticos com quem se tinha reunido.

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