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Guiné-Bissau: Forças de segurança travam marcha contra golpe

1 de janeiro de 2026

Marcha nacional para exigir a restauração da ordem constitucional na Guiné-Bissau foi impedida pelas forças de segurança. “Em todos os cantos da cidade havia homens fardados e armados”, disse Vigário Luís Balanta à DW.

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Tropas guineenses
Guiné-Bissau: Forças de segurança travam marcha contra golpeFoto: Patrick Meinhardt/AFP

Estava convocada para esta quarta-feira (31.12) uma marcha a nível nacional para exigir a restauração da ordem constitucionalna Guiné-Bissau.

No entanto, o protesto, que se pretendia pacífico, foi impedido pelas forças de segurança, segundo afirmou à DW Vigário Luís Balanta, porta-voz do movimento cívico "Pô de Terra”, um dos organizadores da iniciativa.

"Em todos os cantos da cidade havia homens das forças de segurança fardados e armados”.

Apesar disso, Balanta, que falou à DW a partir de local incerto, garante que vão continuar a protestar contra o golpe de Estado de 26 de novembro.

DW África: Tinha sido convocado um protesto para esta quarta-feira (31.12) em toda a Guiné-Bissau. Aconteceu ou não aconteceu o protesto?

Vigário Luís Balanta (VLB): Convocámos a marcha para o dia 31 de dezembro, mas acabámos por dar início no dia 30, num dos bairros da cidade de Bissau, por volta das 18 horas.

DW África: Porquê?

Forças de segurança nas ruas de Bissau
"Em todos os cantos da cidade havia homens das forças de segurança fardados e armados”, conta à DW Vigário Luís BalantaFoto: Patrick Meinhardt/AFP

VLB: Porque percebemos que no dia 31 seria mais difícil. As forças de segurança estavam preparadas e posicionadas para nos impedir, então antecipámos para o dia 30. Ontem, em todos os cantos da cidade havia homens das forças de segurança. Em cada cruzamento das principais artérias de Bissau estavam dois agentes bem armados e fardados. Com isso, percebemos que seria complicado, porque depois da manifestação do dia 30, junto à nossa base central, enviaram homens durante a noite e permaneceram lá até ontem. Não conseguimos realizar a nossa reunião. Tentámos ir para outro local, mas fomos perseguidos até à zona do aeroporto de Bissau. Fomos também para Safim, mas a perseguição continuou. No entanto, conseguimos escapar e regressámos às ruas no momento da celebração da passagem de ano, fazendo uma pequena passeata, mas havia pouca gente nas ruas. Algo nunca visto na Guiné-Bissau, porque normalmente, nesta altura, há muita gente a celebrar. Este ano, só havia crianças, porque houve um reforço da presença das forças de defesa, que revistavam pessoas com mochilas, sacos ou qualquer objeto.

DW África: Quando diz que fizeram o protesto, de que forma o fizeram?

VLB: Andámos em número reduzido, é verdade, mas naquele momento as pessoas não tinham saído.

DW África: Significa que a vossa mensagem não chegou porque as pessoas não estavam na rua?

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VLB: Chegou, mas as pessoas têm medo, porque o regime que temos aqui é muito perigoso: persegue, espanca e até vasculha residências. Então, as pessoas estão com medo. Não é porque o povo não perceba. O povo está connosco. Na semana passada, sexta-feira, apelámos às pessoas para vestir roupas pretas e publicar nas redes sociais, e vimos milhares a seguir o apelo. Mas ainda têm medo de ir à marcha.

DW África: Tendo havido este bloqueio na marcha de ontem, qual é o vosso próximo passo nesta pressão? Ou vão desistir?

VLB: Não, vamos continuar. Neste momento, a situação da educação não está boa. Estamos a convocar toda a classe estudantil, líderes das associações de estudantes de diferentes escolas e universidades para se juntarem a nós, porque temos de ser estratégicos. Temos de ampliar a consciencialização e sensibilização para libertar o povo e fazê-lo ganhar consciência. Só assim teremos resultados. Posso confirmar que, brevemente, em menos de duas a três semanas, vamos realizar outra marcha, mas esta terá uma dimensão diferente. Não será apenas coordenada pelo Movimento "Pô de Terra” e pelo Pacto Social, mas também incluirá movimentos estudantis. Estamos com espírito de coragem e bravura, independentemente da adesão, e vamos continuar a trabalhar, porque quanto mais passarmos a mensagem e dermos a cara, mais as pessoas vão sentir confiança para se juntar à luta. É isso que está a acontecer.

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