EUA ″não têm preferência″ por qualquer candidato em Angola | NOTÍCIAS | DW | 11.08.2022

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

NOTÍCIAS

EUA "não têm preferência" por qualquer candidato em Angola

Em entrevista à DW, porta-voz de Antony Blinken diz que EUA respeitarão quaisquer resultados das eleições em Angola. E promete mais empenho contra o terrorismo em Cabo Delgado, para evitar que mercenários ganhem terreno.

Secretário de Estado americano, Antony Blinken, visita esta semana o continente africano

Secretário de Estado americano, Antony Blinken, visita esta semana o continente africano

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken prosseguiu esta quinta-feira (11.08) o seu périplo pelo continente africano. Depois de ter estado na África do Sul, na terça-feira (09.08), e ontem na República Democrática do Congo (RDC), o chefe da diplomacia norte-americana seguiu para o Ruanda, onde conversou com o Presidente Paul Kagame sobre as crescentes tensões entre Kigali e a RDC, além de questões relacionadas com os direitos humanos.

Durante o seu périplo, Blinken, apresentou uma "nova estratégia do Governo Biden para a África Subsaariana", numa altura de grande instabilidade a nível internacional, com crises em pano de fundo como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que tem grande repercussão também nos países do continente africano.

Em entrevista à DW África a propósito desta "nova estratégia", Kristina Rosales, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, fala sobre Angola e Moçambique.

Afirma que os EUA não têm preferência por qualquer dos candidatos presidenciais em Angola e respeitará os resultados das eleições de 24 de agosto. Quanto à luta contra o terrorismo em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, promete mais empenho norte-americano para evitar que mercenários, como o grupo russo Wagner, ganhem terreno nas regiões que enfrentam insegurança e terrorismo no continente africano.

DW África: Como é que política externa dos Estados Unidos da América quer reagir a todos os desafios na África Subsaariana?

Kristina Rosales (KR): A nossa nova estratégia foi delineada esta semana, na segunda-feira (08.08), quando o secretário Blinken esteve na África do Sul. Ele colocou no mapa essa nova estratégia, colocando, assim, o continente africano como nosso parceiro vital. O foco da nossa estratégia agora é no sentido de fazermos uma mudança de olhar. Precisamos ver os nossos parceiros no continente africano como iguais, porque é a única forma como vamos conseguir lidar com os desafios que temos a nível global.

Kristina Rosales Kostrukova | Sprecherin US-Außenministerium

Kristina Rosales

DW África: Vamos ter eleições em Angola já no dia 24 de agosto. Em 2023, haverá eleições na RDC, na Nigéria e no Senegal. A administração Biden pretende apoiar os países a respeitarem as regras das democracias?

KR: Sabemos que é possível que os países que, por exemplo, vão ter essas eleições - inclusive Angola, como mencionou - tenham um processo de eleição justo e livre, que dê voz ao povo africano. Sabemos que o povo africano prefere a democracia. Sejam os jovens, sejam os outros grupos da sociedade, eles temem o conceito de autocracia e não querem isso nos seus países. Então, estaremos bem focados especificamente em apoiar que esses processos sejam justos e livres e ficar de olho em como vai ser esse processo.

DW África: Muitos angolanos da sociedade civil dizem que a administração Biden e o secretário de Estado, Antony Blinken, apoiam João Lourenço, uma vez que já o convidaram antes das eleições para a cimeira dos líderes africanos que os Estados Unidos vão conduzir este ano. Pode comentar?

KR: Bom, nós até agora só anunciámos a cimeira dos líderes africanos em dezembro, que vai acontecer de 13 a 15 de dezembro. Estamos ainda em preparativos para essa cimeira. Não posso comentar especificamente que tipo de convite tem sido feito, mas normalmente isso faz-se um pouco mais próximo da data. Ainda faltam cinco ou seis meses. Mas é importante ressaltar que nós continuamos a trabalhar com o Governo angolano. Obviamente sabemos que vai haver eleições ainda este mês. Vamos respeitar o resultado e esperamos que seja um resultado na base de uma eleição que vai ser livre, justa, focada na voz do povo angolano. E vamos trabalhar com o líder ou a pessoa que seja eleita nesse processo e que também vai participar, esperamos, na cimeira dos líderes africanos este ano.

DW África: Mas o secretário de Estado Blinken e o Presidente Biden não têm preferência por qualquer um dos candidatos em Angola?

KR: Não. Nós, como Estados Unidos, como administração Biden, nunca nos colocamos numa situação em que vamos falar ou dar preferência a qualquer candidato, a qualquer pessoa que esteja a participar numa eleição. O Presidente Biden, o secretário Blinken e todos nós, a nossa administração, vamos respeitar esse resultado e trabalhar com a pessoa que for eleita.

DW África: Outro tema que preocupa o continente africano é a segurança. Os Estados Unidos vão empenhar-se mais nesse campo, uma vez que têm estado um pouco fora da luta contra o terrorismo, por exemplo, no norte de Moçambique?

KR: Obviamente nós ligamos ao tema da segurança ao tema de democracia, porque sabemos que, muitas vezes, quando existe uma democracia fraca, quando há corrupção, é aí que entram também a insegurança, a instabilidade. O secretário Blinken até falou no caso de Moçambique, onde há uma participação do Estado Islâmico. Muitas vezes entram grupos mercenários, que são grupos que não apoiamos. Queremos focar-nos também no conceito, por exemplo, de trabalhar na temática de construir forças de segurança africanas que sejam mais eficazes, mais responsáveis, que respeitem os direitos das pessoas e que consigam combater, não só os grupos criminosos, os grupos extremistas, mas que também tenham o papel de lidar com essa temática de insegurança que, infelizmente, está a afetar muitos países dentro do continente.

População em fuga no norte de Moçambique

Leia mais