Estará a Rússia por trás do golpe de Estado no Mali? | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 27.08.2020

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Internacional

Estará a Rússia por trás do golpe de Estado no Mali?

Vínculo é cogitado pela imprensa maliana porque integrantes da junta militar que depôs Ibrahim Boubacar Keita terão recebido formação na Rússia e têm ligações ao Kremlin. Líderes do golpe passaram um ano em Moscovo.

O portal de notícias aBamako.com publicou que os líderes da junta militar que forçaram Ibrahim Boubacar Keita a renunciar no Mali estavam na Rússia às vésperas do golpe de 18 de agosto, num programa de treino organizado pelas Forças Armadas daquele país. Os coronéis Malick Diaw e Sadio Camará, apontados como os arquitetos do golpe, terão passado um ano no país, vinculados à Universidade Superior Militar em Moscovo.

O interesse russo teria a ver com a ampliação da sua influência em África. O regime de Keita - começou com outro golpe em 2012 que depôs Amadou Toumani Touré - coincidiu com o estabelecimento de uma missão de paz francesa no Mali. E o Kremlin poderia estar a tentar "livrar-se” de França nos países da África Ocidental onde Paris tem uma grande influência.

A investigadora da Escola Superior de Economia de Moscovo, Irina Filatova, nega que se ouça falar deste alegado plano na Rússia. A professora da Universidade de KwaZulu-Natal na África do Sul diz que tem dificuldade de avaliar essa informação porque Moscovo não se manifesta sobre o tema.

"Sabe-se que o Mali e a Rússia criaram laços fortes, e a Rússia tem estado a fornecer equipamento militar ao Mali”, explica.

Mali Bamako Verhandlungen zwischen ECOWAS und Militärführern | Assimi Goita

O exército americano diz que o Coronel Assimi Goita treinou nos EUA, mas a AFRICOM distanciou-se dos líderes do golpe

"Passo para maior cooperação”

Analistas dizem que as relações entre o Mali e Rússia começaram nos anos 1960, quando o Mali se tornou independente de França. Mas também consideram que a França e os seus "aliados ocidentais" não conseguem estabilizar o Mali. "Quando os malianos saíram em janeiro último para pedir a partida das forças estrangeiras no Mali, o seu objetivo era [pedir] o regresso da Rússia", disse Fatoumata Coulibaly, professora da Universidade de Bamako, à DW.

Segundo dados do programa de Armamento e Despesas Militares do Instituto Internacional de Investigação sobre a Paz de Estocolmo, a Rússia é o segundo país que mais forneceu armas para o Mali nos últimos 20 anos, sendo responsável por 16% do fluxo financeiro entre os dois países no setor. O primeiro parceiro comercial do Mali no setor de armamento é a Bulgária, com 23% do fluxo. 

Mesmo assim, A investigadora do , Alexandra Kuimova, considera que a cooperação militar entre os dois países é pobre. No entanto, Kuimova chama a atenção para um acordo envolvendo comércio de armamento em 2016.

"O Mali assinou um contrato com a Rússia para ter cerca de quatro helicópteros de combate Mi-35M. A Rússia entregou pelo menos dois helicópteros novos entre 2017 e 2019. Segundo as autoridades russas, o acordo foi um passo para uma maior cooperação entre os dois países.”

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Amadou Toumani Touré foi deposto no golpe em 2012

A influência russa em África tem vindo a aumentar nos últimos anos. O Kremlin aprofundou as relações com o continente, especialmente depois das sanções impostas à Rússia pelo Ocidente em 2014 - o que levou à procura por novos parceiros e mercados.

Filatova diz que a aposta pela vertente militar na relação com África tem a ver com os pontos fortes na indústria russa. A investigadora lembra que é muito difícil para a Rússia obter produtos comerciais que possam ser oferecidos aos países africanos, para além do que já é oferecido pelos países ocidentais e pela China.

"É por isso que, além do equipamento militar, o comércio com África nunca foi significativo. Claro que os russos estão interessados em recursos minerais, mas podem oferecer apoio militar e esse é o seu ponto forte”, analisa a investigadora.

Alemanha e Estados Unidos

Além do alegado treino em Moscovo, os integrantes da junta militar maliana receberam formação nos Estados Unidos e na Alemanha, segundo o comando norte-americano para África (AFRICOM).

À DW, o AFRICOM confirma a participação do coronel Assimi Goita, um dos líderes do golpe, nos seus programas de treino e ressalta que está a analisar a situação no terreno no Mali, para compreender os potenciais impactos da assistência militar norte-americana.

Até ao fim da avaliação, os Estados Unidos não vão treinar ou apoiar as forças armadas malianas. Também a União Europeia suspendeu as suas ações de formação aos soldados do Mali.

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