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Foto: DW/Anselmo Vieira

Destruição de florestas em Angola preocupa Governo e ambientalistas

Regina Cazzamatta
20 de março de 2014

Um estudo do Governo angolano aponta a redução de 22% dos polígonos florestais na região central do país. Na origem estão as queimadas, desmatamento, crescimento económico, populacional e dependência do carvão.

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A pesquisa foi feita entre os anos de 2010 e 2012 com o intuito de averiguar a atual situação, além de lançar um plano de ação que reduza queimadas e retirada de madeira de modo não sustentável.

Em entrevista à agência de notícias portuguesa Lusa, o ministro da Agricultura, Afonso Pedro Canga, considerou a situação como “preocupante”.

E não é para menos, uma vez que os resultados da pesquisa indicam que as áreas do Cuima, Bunjei e Alto Chiumo, na província de Huambo, desaparecerão em sete ou oito anos, caso a exploração desses perímetros não passe a ocorrer de forma sustentável.

"O aumento do desmatamento é o forte crescimento da procura por carvão", explica o biólogo e geógrafo da ONG WWF (World Wide Fund for Nature) Johannes Kirchgatter.

O porta-voz para assuntos africanos na Alemanha aponta outras razões para o crescimento dos níveis de desmatamento: "Angola tem por um lado um alto crescimento económico, por outro lado há também um grande crescimento populacional e as grandes cidades como Luanda são cada vez mais abastecidas com carvão para que as pessoas possam, por exemplo, cozinhar."

Prejuízos ambientais

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Boa parte da população ainda depende do carvão vegetal para cozinharFoto: Fotolia/danimages

Johannes Kirchgatter lembra que, apesar da existência de gás e óleo, uma grande parte da população ainda depende do carvão para cozinhar. "E para isso vastas regiões são devastadas", acrescenta.

Segundo o estudo, exatamente essa pressão das populações provocou perdas de 1.674 milhões de metros cúbicos de madeira nesses dois anos de análise.

Para o pesquisador da WWF, o desmatamento das florestas é catastrófico não só para a população local, uma vez que isto representa uma perda de solos férteis e a capacidade de reflorestar algumas áreas, mas é também prejudicial ao clima, que é um assunto global.

Para celebrar o Dia Mundial das Florestas no próximo domingo (22.03.), o Ministério da Agricultura de Angola anunciou uma campanha para plantar todos os anos um milhão de árvores na província do Huambo.

Mais do que mudanças simbólicas

Johannes Kirchgatter acredita que tais ações fazem sentido para chamar atenção das pessoas e da ímprensa para o problema, mas defende outras medidas a longo prazo também deve ser tomadas em conta.

Angola - Alltag
Mulheres cultivando no HuamboFoto: picture-alliance/dpa

“Importante é que tais ações simbólicas também sejam seguidas de outras medidas, mudanças legais que possam ser craidas ou modificadas, o fortalecimento de leis que faça parar a atuação de empresas ilegais ou a exportação ilegal de madeira", exemplifica.

O investigador da WWF destaca que é possível usar as florestas para o crescimento económico, mas isso deve ocorrer de modo sustentável. "É importante que o Governo angolano perceba a sua responsabilidade e para isso criar um dia de plantação não é suficiente, mas sim uma política sustentável”, sublinha.

O uso doméstico de carvão vegetal representa aproximadamente 56% do consumo total de energia. Para o especialista da WWF, o uso de carvão na matriz energética precisa de ser urgentemente diminuído.

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