Desemprego cresce em Portugal, mas poucos cidadãos dos PALOP pedem repatriamento | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 25.05.2020
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Internacional

Desemprego cresce em Portugal, mas poucos cidadãos dos PALOP pedem repatriamento

Em Portugal, o desemprego aumentou devido à pandemia de Covid-19, mas são poucos os cidadãos dos PALOP a pedir apoio financeiro para o repatriamento, diz OIM. Processos de legalização estão atrasados.

Didier Vilela está há três anos em Portugal. Estava a estudar em Bragança, já no terceiro ano da Faculdade. Mas a doença da mãe obrigou o jovem oriundo de São Tomé e Príncipe a vir para Lisboa procurar trabalho na área da mecânica. O salário que ganhava ia quase todo para consultas e medicamentos. Entretanto, o surto do novo coronavírus alterou tudo.

"Estava a trabalhar a recibos verdes. Quando há trabalho é que me chamam. Depois, por causa da pandemia, já não havia trabalho e fui dispensado", conta. E porque descontava todos os meses 20% do seu salário, o jovem são-tomense recorreu à ajuda da Segurança Social, mas até agora está à espera, sem nenhuma resposta.

Apesar das dificuldades por que passa, devido também à saúde da mãe, tem fé em voltar a trabalhar e continuar os estudos na área da Engenharia Eletrotécnica de Computadores. Para já, põe de parte recorrer à ajuda da Organização Internacional das Migrações (OIM) para regressar a São Tomé. "Tenho a minha mãe cá doente. Ela veio da Junta Médica. Por enquanto, está fora de questão essa possibilidade de regressar", explica.

Legalização atrasada

Dilma Varela Moreira, natural de Cabo Verde a viver há dois anos em Portugal, teve mais sorte. Embora enfrente algumas dificuldades, mantém o emprego como empregada doméstica. Apenas lamenta os efeitos sociais do surto da pandemia, que afetaram o seu processo de legalização, através da Associação Apoio Imigrante.

"Sim, estava tudo orientado, só que dez dias antes telefonaram-me do SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras] a dizer que por causa da pandemia a minha marcação ia ser cancelada. E agora já estão a tentar remarcar. Estou aqui na Associação Solidariedade Imigrante para tirar os outros documentos que são precisos, que é para eu ir lá", conta à DW.

Portugal: Afrikanische Auswanderer in Lissabon

Cabo-verdiana Dilma Varela Moreira está há dois anos em Lisboa

Para já, a jovem cabo-verdiana também não tem motivos fortes que a levem a regressar ao país natal, porque quer retomar os estudos - é esse o seu sonho. "Está fora de questão. Graças a Deus tenho o meu trabalho. Acho que vou continuar, quem sabe regressar aos meus estudos para continuar com a minha vida", suspira.

Desemprego cresce em Portugal

De acordo com a OIM, a pandemia de Covid-19 está a afetar a economia e a sociedade de forma transversal, incluindo as comunidades de imigrantes radicadas em Portugal, que também estão a ser atingidas pelo desemprego. No entanto, segundo Luís Carrasquinho da OIM, ainda são poucas as inscrições de elementos das comunidades africanas no Programa de Retorno Voluntário.

"Em 2020, até à data, inscreveram-se 383 migrantes no Programa de Retorno Voluntário. 78 regressaram aos países de origem. Em 2019, considerando o mesmo período de tempo, até maio, tínhamos 273 pessoas inscritas e 42 pessoas retornadas", informa.

Portugal: Afrikanische Auswanderer in Lissabon

O são-tomense Didier Vilela vive há três anos em Portugal

Das comunidades africanas, nomeadamente dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), já existem dois pedidos de retorno voluntário contra os 14 de 2019 – conta Luís Carrasquinho, ponto focal para o apoio ao retorno voluntário e à reintegração da OIM em Portugal.

Nos primeiros cinco meses do ano, o desemprego em Portugal subiu de 6 para 10%, afetando 392 mil pessoas, das quais 76 mil são fruto do coronavírus, o correspondente a cerca de 22%.

Portugueses em África

Por causa da pandemia, o desemprego poderá forçar muitos portugueses a procurarem alternativas de emprego noutras paragens, nomeadamente em África. A previsão é de Jorge Fonseca, fundador da consultora George Career Change, que aponta Angola e Moçambique como potenciais destinos para desempregados portugueses.

"Angola e [outros] países de África, tirando a África do Sul – tirando casos pontuais –, precisam de mão-de-obra qualificada e muitos portugueses poderão ter funções de destaque a apoiar economias em desenvolvimento", analisa Jorge Fonseca.

"Em Angola e Moçambique, assim como em diversos outros países de África, deverá continuar a haver boas oportunidades para quadros séniores portugueses, dado que esses países apresentam grandes carências de quadros de gestão, mesmo com a forte queda do preço do petróleo nos últimos meses”, refere uma nota da consultora George Career Change.

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