Como a Rússia está a tentar atrair estudantes africanos
1 de novembro de 2025
Desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia tem-se voltado cada vez mais para os países do Sul Global para combater o isolamento internacional.
O país atribuiu este ano mais de 5 mil vagas a estudantes africanos em universidades financiadas pelo Estado, depois de receber mais de 40 mil candidaturas - principalmente de países como o Sudão, Gana e Chade.
E a educação é uma via fácil, diz a historiadora russa Irina Filatova, pois "é a forma mais barata possível de conseguir aliados, e a Rússia precisa de aliados neste momento", explica.
"É claro que a Rússia criou a imagem de ser um dos países líderes na luta contra o colonialismo, e os africanos acreditam nisso", acrescenta.
Plano de expansão
A Rússia anunciou planos para expandir a sua rede de centros culturais e educacionais em África num programa conhecido como "Casas Russas”, para fortalecer sua presença no continente.
No entanto, críticos acusam essas Casas Russas de servirem como postos de propaganda secreta que promovem as narrativas do Kremlin no exterior.
Organizações de direitos humanos também denunciaram relatos de que estudantes estrangeiros teriam sido pressionados a se alistarem no exército russo em troca da renovação do visto.
Segundo afirmam, é mau para a imagem da Rússia atribuir bolsas de estudo se as pessoas acabam por fazer algo diferente, e acreditam que o país precisa dos países africanos como aliados, não cheios de pessoas dececionadas.
Além da geopolítica, as propinas na Rússia são significativamente mais baixas do que nas universidades ocidentais ou mesmo em algumas universidades africanas.
Acomodação e alimentação
Com três filhos a estudar na Rússia, o zimbabuano Keith Baptist explica que "a acomodação e a alimentação também são muito mais baratas na Rússia em comparação com um estudante que estuda aqui no Zimbábue".
Jefry Makumbe, também do Zimbábue e que estudou Jornalismo na Rússia, aponta outras vantagenss. "A relação entre a Rússia e outras nações do mundo. A Rússia tem relações muito cordiais com países africanos, como o Zimbábue. E a maioria dos jovens em África prefere ir estudar na Rússia", diz.
Durante a era soviética, Moscovo posicionou-se ao lado de Estados recém-independentes da Ásia, África e América Latina. Milhares de estudantes de países não alinhados, muitos dos quais se tornaram mais tarde líderes políticos, formaram-se na União Soviética.