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Xi Jinping perde a confiança nos seus principais generais?

Yuan Dang
29 de janeiro de 2026

Um escândalo de corrupção no Exército de Libertação Popular abalou as Forças Armadas da China. As investigações contra dois conselheiros de Xi Jinping revelam uma luta pela lealdade e controlo no seio das Forças Armadas.

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China Peking 2025 | Übertragungsbild von Xi Jinping zur Eröffnung des Nationalen Volkskongresses
Xi Jinping tem reprimido a alegada corrupção no exército e no Governo desde que assumiu o cargo em 2013 Foto: Greg Baker/AFP/Getty Images

Durante o último fim de semana, veio a público que as autoridades chinesas abriram investigações contra duas figuras importantes do alto escalão do Exército de Libertação Popular por "graves violações disciplinares", uma expressão comumente utilizada nas comunicações oficiais chinesas para se referir à corrupção.

Entre os afetados está o general Zhang Youxia, um dos aliados mais próximos do Presidente da China, Xi Jinping, nas forças armadas e um dos dois vice-presidentes da poderosa Comissão Militar Central. Outro general de alta patente, Liu Zhenli, está também a ser investigado. Ambos foram afastados dos seus cargos.

A Comissão Militar Central é o órgão de comando coletivo que supervisiona todas as forças armadas da China — o Exército, a marinha, a força aérea e as forças de mísseis nucleares — bem como a polícia armada e a milícia. O seu presidente é Xi Jinping, que, além de ser o Presidente do país, também desempenha as funções de secretário-geral do Partido Comunista Chinês.

Entre os três principais cargos ocupados por Xi, a presidência da comissão militar é considerada a mais poderosa. De acordo com o artigo 93.º da Constituição da China, é o presidente da comissão — e não o Presidente, como muitas vezes se presume — que comanda as forças armadas.

O líder fundador da China, Mao Tsé-Tung, defendeu, de forma memorável, que "o poder político nasce da ponta de uma espingarda". 

Esta lógica molda a política chinesa há muito tempo. Em 2005, o então presidente Jiang Zemin manteve o controlo da comissão militar durante meses após renunciar aos seus outros cargos, entregando-a ao seu sucessor, Hu Jintao, apenas após um longo período.

China | Vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC), Zhang Youxia
Vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC), Zhang YouxiaFoto: Florence Lo/REUTERS

Um general com experiência em combate

O caso de Zhang Youxia, o oficial fardado da mais alta patente da China, é particularmente impressionante. Dentro do trio dirigente da comissão, foi o único a ascender na hierarquia, de soldado comum ao topo.

Ingressou no Éxército em 1968, aos 18 anos. Em 1979 e 1984, comandou um regimento e combateu na guerra fronteiriça com o Vietname. Mais tarde, Zhang tornou-se comandante do exército chinês no nordeste, antes de se mudar para Pequim para assumir cargos de liderança sénior no quartel-general militar.

"O caso é surpreendente", disse o politólogo Ying-Yu Lin, da Universidade Tamkang, em Taiwan, à DW. "A Comissão Militar Central não tem agora ninguém na sua liderança com experiência real na guerra. Isso é questionável".

Xi e o outro vice-presidente da comissão têm formação política e não militar.

Zhang foi também membro do poderoso Politburo do Partido Comunista, composto por 25 membros, onde representava os militares. Era amplamente considerado o candidato preferido de Xi Jinping. A sua promoção ao Politburo, aos 72 anos — quando a maioria já se teria reformado — rompeu com as normas estabelecidas.

Os laços pessoais de Zhang com Xi eram estreitos. O pai de Zhang tinha servido ao lado do pai de Xi, e ambas as famílias eram da mesma província.

China | General Zhang Youxia
Impressionante carreira de Zhang Youxia levou-o de soldado comum a general supremo do paísFoto: Ng Han Guan/AP Photo/picture alliance

Uma aparente quebra de confiança

As campanhas anticorrupção têm sido utilizadas há anos dentro do Partido Comunista para alinhar políticos e punir a deslealdade.

Mais recentemente, o foco parece ter mudado para os generais e para os militares, à medida que Xi procura reformular a estrutura de liderança das forças armadas.

Em outubro, as autoridades chinesas anunciaram investigações de corrupção contra nove oficiais militares.

Zhang tinha sido um defensor declarado de Xi Jinping em 2022, quando Xi rompeu com as normas internas de longa data para garantir um terceiro mandato no 20º Congresso do Partido Comunista, diz Ming-Shih Shen, do Instituto de Investigação de Defesa e Segurança Nacional de Taiwan.

"Xi também quebrou muitas regras e tabus antigos dentro das forças armadas, promovendo aliados de confiança antes do habitual para garantir o seu poder", disse Shen à DW.

Mas Shen defende que, após as primeiras vagas da campanha anticorrupção contra os militares, Zhang pode ter-se sentido cada vez mais encurralado e ameaçado — mesmo que inicialmente não fosse um alvo.

China
Seis generais a prestar juramento perante o parlamento em 2023. Cinco deles estão agora sob investigaçãoFoto: Yue YueweiXinhua//picture alliance

"Xi Jinping claramente já não confia nele", disse Lin. "Especular sobre o motivo pelo qual Zhang caiu em desgraça — seja por corrupção, suborno ou mesmo alegada espionagem para serviços de informação estrangeiros, como noticiado pelos meios de comunicação norte-americanos — é irrelevante se houver confiança. Uma vez perdida a confiança, a acusação específica torna-se uma mera formalidade."

Redes e lutas pelo poder

Na sua reportagem sobre o caso de Zhang, o Diário do Exército de Libertação Popular acusou-o de abusar da autoridade que lhe foi concedida pelo Presidente enquanto comandante-geral das forças armadas. O jornal realçou que nenhuma patente garante imunidade e nenhuma honra militar oferece proteção contra processos judiciais.

Esta linguagem sugere que Zhang pode ter construído uma rede de apoiantes leais dentro das Forças Armadas, diz Chung Chieh, também investigador no Instituto de Investigação de Defesa e Segurança Nacional de Taiwan. "Esta rede foi provavelmente vista por Xi Jinping como uma potencial ameaça. Os principais interesses de Xi ou do partido devem ter estado em jogo".

Qualquer pessoa que questione a autoridade de Xi como Presidente corre o risco de ser acusada de deslealdade ou mesmo de motim, acrescenta Chung.

A China não trava uma guerra há décadas. Nos fóruns online em língua chinesa, circulam piadas políticas, como: "O Éxército está agora a travar guerras contra os seus próprios generais" ou "O próximo desfile militar será liderado por um general que prefere não ser nomeado".

Ao mesmo tempo, a China continua a demonstrar a sua força militar, particularmente através de manobras navais na sua costa do Pacífico. Em 2025, os gastos militares da China totalizaram o equivalente a 220 mil milhões de euros.

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