Brasil: Lula quebra o silêncio e diz que se vai entregar à polícia | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 07.04.2018

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Internacional

Brasil: Lula quebra o silêncio e diz que se vai entregar à polícia

O ex-presidente do Brasil Lula da Silva, que estava refugiado na Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo desde quinta-feira (05.04), dirigiu-se aos apoiantes para informar que se vai entregar às autoridades.

O ex-Presidente do Brasil Lula da Silva disse este sábado (07.04) que vai respeitar a ordem de prisão decretada pela Justiça brasileira, que o condenou a 12 anos de cadeia por corrupção. O antigo chefe de Estado deixou, no entanto, um aviso: "A morte de um combatente não para a revolução".

 "Eu vou atender o mandado deles. (...) Eu vou cumprir o mandado e todos vocês daqui para frente vão virar Lula", referiu Lula da Silva, num discurso perante centenas de apoiantes em São Bernardo do Campo, no Estado de São Paulo, nas imediações do edifício do Sindicato dos Metalúrgicos, em que reafirmou a sua inocência.

Brasilianischer Richter erlässt Haftbefehl gegen Lula

Manifestante exibe cartaz contra a detenção de Lula da Silva em São Bernardo do Campo, no Brasil

Neste discurso, o ex-Presidente do Brasil não deu detalhes sobre quando e como irá entregar-se à polícia e, no final, voltou a entrar no edifício do sindicato, transportado em ombros pela multidão que o aplaudia.

Lula da Silva está em São Bernardo do Campo, no edifício do Sindicato dos Metalúrgicos, desde quinta-feira, após ter sido decretada a sua prisão, pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato. O ex-Presidente brasileiro foi condenado em duas instâncias da Justiça num processo da Operação Lava Jato em que foi acusado de receber um apartamento de luxo da construtora OAS em troca de favorecer os contratos da empresa com a estatal brasileira Petrobras.

Lula falou depois da missa

Lula da Silva dirigiu-se aos apoiantes após uma missa celebrada em homenagem à sua falecida esposa, Marisa Letícia Lula da Silva, nas imediações do edifício do Sindicato dos Metalúrgicos, onde iniciou a sua vida política. O ex-Presidente brasileiro não falava publicamente desde quinta-feira à noite, quando o juiz federal Sérgio Moro decretou a sua detenção. "Não pensem que eu sou contra a Lava Jato, não... A Lava Jato, se pegar bandido, tem que pegar bandido mesmo que roubou e prender. Todos nós queremos isso", disse Lula da Silva, que desafiou Sérgio Moro a apresentar "alguma prova" dos crimes pelos quais condenou o ex-Presidente do Brasil.

"Eu não estou acima da Justiça, se eu não acreditasse na Justiça, eu não teria feito um partido político, teria proposto revolução, acredito na Justiça, mas na Justiça justa, baseada nas acusações, na prova concreta", afirmou, acrescentando que "quem quiser votar com base na opinião pública largue a toga e vá ser candidato a deputado; escolha um partido político e vá ser candidato".

Brasilien | Unterstützer von Ex-Präsident Lula demonstrieren in Sao Bernardo do Campo

Centenas de apoiantes manifestam-se contra a prisão de Lula da Silva nas imediações do edifício do Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo, no Brasil

Segundo o jornal Folha de São Paulo, o ex-Presidente do Brasil deverá entregar-se ainda este sábado à justiça. O Globo, por seu lado, dá conta de negociações entre a defesa do ex-chefe de Estado e as autoridades. Outra alternativa, escreve a Globo, é Lula ser levado na segunda-feira (09.04) para Curitiba, cidade onde deveria ter-se entregue à Polícia Federal.

Novo recurso rejeitado

Os advogados do ex-Presidente recorreram para o Supremo Tribunal Federal para tentar suspender a ordem de prisão e estão também a tentar negociar que Lula fique em São Paulo e não em Curitiba, noticia o Estadão.

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) do Brasil rejeitou na sexta-feira (06.04) um segundo pedido de 'habeas corpus', apresentado pelos advogados de defesa do ex-Presidente.  

Na madrugada de quinta-feira (05.04), o STF tinha já negado um 'habeas corpus' também apresentado pela defesa de Lula da Silva, que visava evitar a sua prisão antes de se esgotarem os recursos na Justiça. Anteriormente, aquela instância judicial já tinha também negado um 'habeas corpus' preventivo a Lula da Silva, condenado a 12 anos de prisão e um mês por corrupção passiva e branqueamento de capitais.

Na sequência da decisão do STF, o juiz federal Sérgio Moro decretou a prisão de Lula da Silva e deu como prazo as 17h00 de sexta-feira (horário de Brasília) para o ex-Presidente brasileiro se apresentar voluntariamente à Polícia Federal na cidade de Curitiba, no Estado do Paraná, sul do Brasil.

Luiz Inácio Lula da Silva tem 72 anos e foi o 35.º Presidente do Brasil (2003-2011).

 

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