Brasil e Cabo Verde apostam em organismos regionais para resolver crise em Bissau | Guiné-Bissau | DW | 23.10.2012
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Guiné-Bissau

Brasil e Cabo Verde apostam em organismos regionais para resolver crise em Bissau

Em visita do ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Borges, ao homólogo brasileiro Antonio Patriota, destacou-se o papel da União Africana e da ONU na resolução da instabilidade cíclica na Guiné-Bissau.

Foto mostra António Indjai, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, em meio a soldados após ataque a unidade de elite do Exército

Foto mostra António Indjai, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, em meio a soldados após ataque a unidade de elite do Exército

O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o país espera que prevaleçam o diálogo e a negociação neste momento de instabilidade na Guiné-Bissau e afirmou que Cabo Verde tem um papel importante na região por fazer parte tanto da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) quanto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Para Antonio Patriota, a responsabilidade de se chegar a uma posição recai sobre a União Africana e as Nações Unidas, no âmbito de uma situação que classificou como desafiadora. "Eles é que poderão garantir a boa articulação de uma estratégia para a estabilização de um país que é pequeno, que tem uma população relativamente pequena", afirmou o ministro brasileiro.

Para Patriota, a resolução da situação de instabilidade na Guiné-Bissau também pode ser encarada como um teste: "Se os sistemas sub-regional africano e multilateral não conseguem estabelecer uma estratégia para lidar com a Guiné-Bissau, fica mais difícil imaginar como conseguirão para desafios maiores. Estamos muito empenhados em trabalhar para que isso ocorra", disse.

De recordar que a CEDEAO e a CPLP tinham posições divergentes sobre como tratar o dossiê da Guiné-Bissau: enquanto a comunidade de países ocidentais africanos aceitaram trabalhar com o governo de transição saído do golpe de Estado militar de 12.04, os países lusófonos – incluindo o Brasil – não reconheceram as autoridades de transição da Guiné-Bissau.

O ministro brasileiro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Patriota: resolução de crise é teste para organismos regionais

O ministro brasileiro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Patriota: resolução de crise é "teste" para organismos regionais

Políticos e militares da Guiné-Bissau não contribuem para desenvolvimento

O ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Borges, reafirmou o papel fundamental da União Africana no caso. "Nós temos os organismos regionais, como a União Africana (UA), que já tem alguma experiência nesta matéria, e penso que será o fórum adequado para que possamos resolver de vez essa situação cíclica de golpes na Guiné-Bissau", disse Borges à DW África.

Ainda sobre a instabilidade recorrente na Guiné-Bissau (clique aqui para saber mais), o ministro cabo-verdiano lembrou a luta pela independência do país ocidental africano, que juntamente com guerrilheiros de Cabo Verde criou o Partido Africano da Independência da Guiné e de Cabo Verde (PAIGC), que governava em Bissau antes do golpe de Estado de 12.04. Depois da independência da Guiné-Bissau, em 1973/74, o projeto de unificação dos dois países cessou depois do golpe de Estado que levou João Bernardo "Nino" Vieira ao poder, em 1980.

"Quando nós vemos uma população que fez uma luta de libertação exemplar durante vários anos, sentimos que neste momento a população está refém de um grupo de políticos e militares que em nada dignificam nem contribuem para o seu desenvolvimento normal e desejado", disse Jorge Borges à DW África.

O ministro cabo-verdiano destacou, ainda, dois problemas que essenciais que assolam a região da Guiné-Bissau: o narcotráfico e o terrorismo. "Neste momento, vemos dois países reféns desta situação: a Guiné-Bissau e o Mali. São preocupações que estão em permanência conosco quando buscamos trazer o desenvolvimento para esta região".

Os ministros brasileiro (na foto) e cabo-verdiano apostam no papel da ONU e da União Africana

Os ministros brasileiro (na foto) e cabo-verdiano apostam no papel da ONU e da União Africana

Estabilidade de Cabo Verde atrai mais parcerias

Foi justamente sobre essas oportunidades de desenvolvimento através de parcerias que os dois ministros conversaram durante reunião bilateral nesta segunda-feira na capital brasileira. Durante o encontro, os dois países revisaram acordos de cooperação que estão em andamento em várias áreas, incluindo a cooperação técnica em áreas como saúde, agropecuária, sistema bancário e educação.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, António Patriota, afirmou que a estabilidade de Cabo Verde é um atrativo para fortalecimento de parcerias e consolidação de investimento. "Concordamos em criar um grupo técnico ao abrigo desse mecanismo de consultas políticas [entre ministros dos Negócios Estrangeiros] para não só monitorar a cooperação bilateral, como também identificar projetos prioritários para Cabo Verde nas áreas em que o Brasil poderá ter maior impacto. Cabo Verde é um arquipélago de estabilidade, democracia, boa governança e sabemos que estes são atrativos muito grandes para quem procura uma participação maior no desenvolvimento econômico e social da África ocidental", destacou Patriota.

Um exemplo é a área de educação e capacitação. O Brasil recebeu mais de 2.500 estudantes cabo-verdianos desde 2000, e mais de cinco mil professores entre 2006 e 2011 para capacitação.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, o comércio bilateral entre os dois países cresceu 475% entre 2002 e 2011. Em 2010, o Senado Brasileiro aprovou a reestruturação da dívida do país africano com o Brasil, permitindo que, a partir de agora, o país solicite linhas de crédito para receber investimentos brasileiros.

Autora: Ericka de Sá (Brasília)/Renate Krieger
Edição: António Rocha

Ouvir o áudio 03:31

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