Atentados ensombram processo eleitoral no Mali | MEDIATECA | DW | 23.07.2013
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MEDIATECA

Atentados ensombram processo eleitoral no Mali

Riscos de atentados suicidas, incompleta distribuição dos boletins dos eleitores e votação incerta em todo o território são alguns dos obstáculos para um bom desenrolar da eleição presidencial de 28 de julho no Mali.

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Enquanto a instabilidade continua a reinar em Kidal, suscitando uma grande preocupação, o processo eleitoral prossegue no resto do país.

A seis dias da eleição presidencial, no norte do Mali o processo é preparado segundo as condições reinantes, apesar das apreensões e de muitos obstáculos.

No domingo (21.07.), representantes do Movimento Nacional de Libertação da Azawad (MNLA) e do Alto Conselho para a Unidade da Azawad, dois grupos rebeldes signatários do acordo, reuniram-se com o Presidente de transição, Dioncounda Traoré.

O encontro foi preparatório com vista a uma reunião de avaliação dos acordos de Ouagadougou, rubricados a 18 de junho passado, que teve lugar esta segunda-feira (22.07.) na capital maliana, Bamako.

A menos de uma semana da eleição presidencial, a situação em termos de segurança na região de Kidal é muito má, com a população a viver num contexto de grande tensão, após os vários atos de violência entre as comunidades que fizeram pelo menos quatro mortos, segundo um balanço oficial.

Cinco agentes eleitorais e um eleito local que preparavam o escrutínio foram raptados no sábado (20.07.) em Tessalit, no norte de Kidal, por homens armados e libertos na noite de domingo (21.07.)

Não cumprimento do acordo

O porta-voz dos rebeldes Tuaregue negou qualquer envolvimento do MNLA nesses raptos e até convidou as partes signatárias do acordo de Ouagadougou a respeitarem os compromissos assumidos.

No entanto, segundo o capitão Modibo Traoré, porta-voz do exército maliano, o respeito pelo compromisso assumido está longe de ser satisfatório. "A situação não mudou muito nem de um lado nem do outro. Para além dos elementos do MNLA que foram acantonados com as suas armas, pouco mais aconteceu", referiu.

Por outro lado, Modibo Traoré esclarece que o grosso dos elementos do exército maliano ainda não chegou a Kidal. Somente uma companha está no terreno. "Como podem ver estamos ainda longe dos compromissos assumidos", diz.

Receio de atentados

Entretanto, em Gao, por enquanto, os eleitores continuam a tratar dos seus cartões de eleitores, como disse à DW África Sadou Dialó, presidente da Câmara Municipal da cidade. "Na região de Gao, todas as pessoas se conhecem e, portanto, a distribuição dos cartões de eleitores decorre sem grandes problemas", declarou.

No início, o processo enfrentou algumas dificuldades, segundo Dialó, mas agora tudo corre melhor: "Atualmente a afluência é muito importante, apesar de um certo receio sobre possíveis atentados."

Na verdade, teme-se a ocorrência de atentados bem como a incompleta distribuição dos cartões de eleitores noutras regiões do país. "Há pessoas que foram enganadas e que não conseguiram encontrar os seus nomes nas listas, o que é uma grande dificuldade para o próprio processo que utiliza um sistema muito moderno e de difícil compreensão para a população rural", afirma Cheick Doucouré, da comunidade rural deTelé e membro dos eleitos do norte.

Avante eleições

Entretanto, Doucouré destaca o empenho para que as eleições corram bem. "Sei que estão a ser feitos esforços de sensibilização e de formação para que o processo venha a ser concluído sem grandes problemas", afirma

Mesmo que os obstáculos sejam enormes e as condições ainda não sejam as melhores para a realização efetiva da primeira volta da eleição presidencial em Kidal, as autoridades de Bamako asseguram que o escrutínio terá lugar na data prevista, ou seja, no próximo domingo (28.07.)

Em Bruxelas, porém, os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros apelaram esta segunda-feira (22.07.) aos malianos a participarem ativamente na eleição presidencial, apesar dos problemas de organização no norte e nos campos de refugiados.

Os ministros destacaram a importância de ser assegurada na medida do possível a observação eleitoral, nomeadamente em Kidal e nos campos de refugiados. A União Europeia vai enviar uma missão de observadores, presidida pelo euro-deputado belga e ex-comissário europeu, Louis Michel.

Islão no Mali

O Mali é um país laico, mas o Islão é a religião dominante. Duas tendências do Islão estão bem presentes no país: a primeira, muito intervencionista em termos políticos, chega ao ponto este ano de dar orientações no sentido do voto, ao apelar por uma votação a favor de Ibrahim Boubacar Keita, no escrutínio presidencial.

Já a segunda tendência denuncia o envolvimento dos religiosos na política e deseja que estes últimos se contentem em gerir sómente a religião. Entre os dois campos, o debate é muito apaixonante.

Com mais de 80% da população muçulmana, o Islão é omnipresente no Mali, principalmente durante este mes de Ramadão. Mas nas vésperas do escrutínio presidencial é a presença do Islão na cena política do país que gera um grande debate. Mais de uma centena de associações islamicas reuniram-se no último fim de semana para manifestar a sua escolha sobre um dos candidatos à eleição presidencial na pessoa de Ibrahim Boubacar Keita.

Este movimento político religioso intitulado"Sabati 2012" é considerado a ala política do Alto Conselho islâmico. Os religiosos fazem, assim, a sua entrada na campanha eleitoral. Está fora de questão a utilização dos mesmos métodos que os políticos. O movimento tem a sua estratégia.

A política até nas mesquitas. É isso que denuncia a outra tendência da religião muçulmana no Mali, para quem o religioso no jogo político é o árbitro que vai para a arena.