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África exige assento no Conselho de Segurança da ONU

Isaac Mugabi
24 de setembro de 2025

Líderes africanos presentes na Assembleia Geral da ONU defendem maior influência internacional, reformas no Conselho de Segurança das Nações Unidas e o reconhecimento do Estado da Palestina.

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Cyril Ramaphosa na reunião da ONU em Nova Iorque
O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, alertou que a estrutura desatualizada do Conselho de Segurança e o uso persistente do poder de veto pelos membros permanentes estão a corroer a legitimidade da ONUFoto: Yuki Iwamura/AP Photo/picture alliance

Muitos líderes africanos que participam na Assembleia Geral da ONU têm uma agenda clara: garantir uma voz mais forte na governação global, promover a paz e a segurança, e mobilizar recursos para o desenvolvimento sustentável.

Seguindo o tema deste ano da Assembleia Geral, "Melhores juntos: 80 anos e mais pela paz, desenvolvimento e direitos humanos", espera-se que os líderes africanos pressionem por uma ordem mundial mais justa - que reflita a crescente relevância geopolítica do continente e responda à sua marginalização histórica. Contudo, estas aspirações são temperadas por uma mistura complexa de desafios urgentes e reivindicações de reforma de longa data.

A Assembleia Geral da ONU deste ano ocorre num momento em que os líderes mundiais enfrentam crises desde Gaza até à Ucrânia e questionam se os Estados Unidos, com a sua política externa "America First," estão ainda dispostos a desempenhar um papel de liderança nos assuntos globais.

No entanto, é improvável que os conflitos na região do Sahel e na parte oriental da República Democrática do Congo (RDC), onde os rebeldes M23, apoiados por Ruanda, capturaram vastas áreas, incluindo as cidades de Goma e Bukavu, recebam muita atenção na 80.ª Assembleia Geral.

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Pressão por reformas

Os apelos por reformas nas Nações Unidas não são novidade. Ainda assim, os líderes africanos renovam o seu pedido por uma representação permanente no Conselho de Segurança da ONU, argumentando que a estrutura atual está desatualizada e é injusta.

Embora os países africanos contribuam significativamente para as missões de manutenção da paz da ONU e para o desenvolvimento global, continuam sub-representados nos principais processos de tomada de decisão.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, alertou na sua newsletter semanal, na segunda-feira (22.09), que a estrutura desatualizada do Conselho de Segurança e o uso persistente do poder de veto pelos membros permanentes estão a corroer a legitimidade da ONU e a obstruir os esforços para a paz global.

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, discursa na 80.ª Assembleia Geral das Nações Unidas
"Estes cinco membros permanentes tomam efetivamente decisões em nome de mais de 85% da população mundial que vive em países do Sul Global", referiu Cyril Ramaphosa, na 80.ª Assembleia Geral da ONUFoto: Alexi J. Rosenfeld/Getty Images/AFP

"Estes cinco membros permanentes tomam efetivamente decisões em nome de mais de 85% da população mundial que vive em países do Sul Global", referiu Ramaphosa. "Eles continuam a usar os seus poderes de veto para paralisar a ação coletiva e impedir respostas atempadas às crises, mesmo perante claras violações do direito internacional", acrescentou.

Ramaphosa disse que este desequilíbrio mina a neutralidade e credibilidade da ONU.

Nenhum assento permanente para África à vista

"Sabemos que, mesmo para que os cinco assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU possam ser ampliados para acomodar qualquer outro país como membro permanente, é necessária uma alteração da Carta, uma vez que as Nações Unidas foram estabelecidas por um documento orientador, a que chamamos Carta da ONU, e essa alteração requer uma maioria de dois terços", disse Michael Kwadwo Nketiah, analista de relações internacionais, à DW.

"Agora, África poderá ter de convencer todos os outros Estados-membros a aderirem a esta ideia de que África merece um assento no Conselho de Segurança da ONU", afirmou Nketiah. "Esse é, por si só, um obstáculo para alcançar a maioria exigida para a emenda".

Mesmo que a União Africana (UA) tenha sucesso em conseguir dois terços dos 193 Estados-membros a votar pela inclusão da UA no Conselho de Segurança, esta resolução ainda terá de ser ratificada pelos cinco membros permanentes: Reino Unido, França, EUA, China e Rússia.

"Estes países nunca quiseram e não estão dispostos a partilhar o seu poder com outros Estados-membros das Nações Unidas", concluiu Nketiah.

Novos apelos para reconhecer o Estado Palestiniano

De todos os líderes africanos, Ramaphosa tem sido o mais vocal na condenação da violência contínua em Gaza e reiterou por várias vezes que a África do Sul não ficará em silêncio sobre a guerra.

Ramaphosa escreveu no X que a África do Sul está comprometida "com a criação de um Estado Palestiniano contíguo que exista pacificamente lado a lado com o Estado de Israel, ao longo das fronteiras de 1967, tendo Jerusalém Oriental como sua capital".

Protestos pró-palestinianos durante a Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque
De todos os líderes africanos, Cyril Ramaphosa tem sido o mais vocal na condenação da violência contínua em Gaza e reiterou por várias vezes que a África do Sul não ficará em silêncio sobre a guerraFoto: Stephanie Keith/Getty Images

Outros líderes africanos também expressaram solidariedade para com os palestinianos, traçando paralelos entre a sua luta e a própria história de colonialismo e opressão da África.

"Muitos países africanos já reconhecem a Palestina", disse Fidel Amakye Owusu, analista de segurança especializado em assuntos africanos e geopolítica, à DW. "O que é novo para o Ocidente neste novo reconhecimento da Palestina é algo velho para os africanos", apontou Owusu. "Nós sempre reconhecemos a Palestina e esta solução de dois Estados tem sido a nossa agenda", acrescentou.

Owusu referia-se ao reconhecimento, esta semana, de um Estado Palestiniano por França, Reino Unido, Canadá, Portugal e Austrália.

"O que Ramaphosa está a pressionar é para que a Palestina seja promovida do estatuto de observador para membro pleno da ONU, onde poderá votar e juntar-se ao Conselho de Segurança quando chegar a altura certa", afirmou Owusu. "E isso será difícil, porque significaria que todos os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU teriam de aceitar", finaliza.

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