Vaticano abrirá arquivos secretos sobre pontificado durante a 2ª Guerra | Notícias internacionais e análises | DW | 05.03.2019
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Mundo

Vaticano abrirá arquivos secretos sobre pontificado durante a 2ª Guerra

Papa Francisco afirma que documentos sobre o controverso pontificado de Pio 12 exercido durante o conflito mundial serão publicados em 2020. Arquivos podem esclarecer papel da Igreja durante o Holocausto.

O papa Pio 12 é acusado por muitos de cumplicidade passiva em relação ao Holocausto

O papa Pio 12 é acusado por muitos de cumplicidade passiva em relação ao Holocausto

O papa Francisco anunciou nesta segunda-feira (05/03) que o Vaticano tornará públicos os arquivos secretos da época de seu antecessor Pio 12, que liderou a Igreja Católica durante a Segunda Guerra Mundial. A iniciativa poderá revelar os motivos pelos quais a instituição não adotou uma posição mais firme contra o Holocausto.

"Decidi que a abertura dos arquivos do Vaticano sobre o pontificado de Pio 12 ocorrerá no dia 2 de março de 2020", disse o papa.

O acesso a esses arquivos é um desejo de longa data de muitos pesquisadores que querem estudar o que consideram como falta de um posicionamento mais contundente de Pio 12 (1939-1958) contra os nazistas, que massacraram milhões de judeus durante a guerra.

A data da abertura dos arquivos marcará o 81º aniversário da eleição de Pio 12, cujo nome de batismo era Eugenio Pacelli, como papa. Suas atitudes são consideradas por muitos como uma forma de cumplicidade passiva. Pacelli ganhou experiência diplomática enquanto servia à Santa Sé em Munique e Berlim, antes de ser nomeado papa.

"A Igreja não teme a história", afirmou Francisco, lembrado que Pio 12 foi o líder do catolicismo durante "uma das épocas mais tristes e sombrias do século 20".

O papa disse que a decisão de abrir os arquivos foi tomada com a compreensão de que pesquisas históricas sérias serão realizadas "sob uma ótica justa, com as críticas adequadas aos momentos de exaltação desse papa e, sem dúvidas, aos momentos de graves dificuldades, decisões atormentadoras e cuidados humanos e cristãos".

Muitos historiadores acreditam que o papa Pio 12 poderia ter condenado com mais veemência o massacre de judeus pelos nazistas, mas não o fez ao adotar uma cautela diplomática excessiva e para não por em perigo os católicos na Europa ocupada.

Oficialmente, o Vaticano adotou uma postura neutra durante a guerra. Alguns historiadores afirmam, no entanto, que Pio 12 salvou dezenas de milhares de judeus italianos ao ordenar que os conventos abrissem suas portas e os acolhessem.

Segundo os arquivos da Santa Sé, a preparação para a divulgação dos documentos começou em 2006, durante o papado de Bento 16. A previsão era que os a divulgação estivesse preparada até 2015, mas a enorme quantidade de documentos e a falta de pessoal resultaram no atraso de cinco anos. Os pesquisadores esperam poder obter acesso total aos arquivos.

Francisco disse que a análise das decisões tomadas pelo papa nos tempos da guerra poderá parecer para alguns como se ele tivesse agido de modo "reticente", mas que, na verdade, foram tentativas de "manter acesa a pequena chama de iniciativas humanitárias em tempos de profunda obscuridade e crueldade". 

No passado, Francisco já defendeu algumas vezes seu antecessor. Certa vez, durante uma entrevista, o papa contou como Pio 12 escondeu judeus em Castel Gandolfo, o palácio papal de verão nas proximidades de Roma.

"Lá, no quarto do papa, em sua própria cama, 42 bebês nasceram, crianças judias e de outros que eram perseguidos e que se abrigaram lá", contou Francisco.

Os papas João 23, (1958-1963), Paulo 6° (1963-1978) e João Paulo 2° (1978-2005) foram santificados pela Igreja. Porém, a beatificação de Pio 12 – passo necessário para a santificação – ainda está em suspenso em razão das controvérsias em torno de seu papel durante a Segunda Guerra.

O Vaticano normalmente aguarda 70 anos após o término de um pontificado para abrir os arquivos. Mas, no caso de Pio 12, a Santa Sé estava sob forte pressão para tornar públicos os documentos enquanto ainda há sobreviventes do Holocausto vivos.

RC/ap/afp

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