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Donald Trump
Mandato de Trump termina no dia 20 de janeiroFoto: Saul Loeb/AFP
PolíticaEstados Unidos

Trump diz que não irá à posse de Biden e quebra tradição

8 de janeiro de 2021

Presidente contraria mensagem do dia anterior, na qual prometera transição "tranquila, ordenada e harmoniosa". Apenas três líderes americanos romperam tradição de comparecer à posse do sucessor, todos no século 19.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (08/01) que não irá participar da cerimônia de posse do presidente eleito Joe Biden, no dia 20 de janeiro, contrariando sua mensagem de um dia antes na qual afirmara que trabalharia para garantir uma transição de poder "tranquila, ordenada e harmoniosa" para seu sucessor.

Trump não deu nenhum indicativo sobre como passará suas últimas horas no cargo, e será o primeiro presidente desde Andrew Johnson, que comandou o país de 1865 a 1869, a se ausentar da posse do sucessor.

Tradicionalmente, o presidente que está deixando o cargo e o que assumirá a Casa Branca entram no Congresso juntos para a cerimônia, como um símbolo da transição pacífica de poder. Até hoje, essa tradição só foi quebrada três vezes na história do país, todas no século 19.

A afirmação de Trump de que não irá à posse vem dois dias após um grupo violento de seus apoiadores ter invadido o Capitólio enquanto os congressistas se preparavam para certificar a vitória de Biden. A sessão foi retomada depois que os manifestantes foram retirados do prédio.

"Para todos os que perguntaram, não irei à cerimônia de posse no dia 20 de janeiro", tuitou Trump. Sua decisão já era esperada, na medida em que o presidente americano vem há meses afirmando de forma mentirosa que venceu as eleições e divulgando alegações de fraude na votação sem base factual.

A equipe de Biden encarregada da transição não comentou o anúncio de Trump. Mas Jen Psaki, que será o secretário de imprensa da Casa Branca do novo presidente, disse em dezembro que a presença ou não de Trump na posse não era uma grande preocupação para Biden. O vice-presidente Mike Pence ainda é esperado na cerimônia de posse.

Reconhecimento do final de seu mandato

Trump reconhece derrota pela primeira vez

Na quinta-feira, a 12 dias do final do seu mandato, Trump finalmente se curvou à realidade em meio a articulações crescentes para tentar tirá-lo do cargo antes de 20 de janeiro, inclusive por meio de um impeachment, e reconheceu que irá deixar o poder pacificamente.

Em um vídeo postado em seu perfil no Twitter, o presidente também condenou o ataque ao Capitólio e disse que seus apoiadores radicais que cometeram crimes "pagarão por isso".

"Esse momento exige recuperação e reconciliação", disse Trump. "Acabamos de passar por eleições intensas, as emoções estão elevadas, mas agora, os ânimos devem ser esfriados, e a calma, restaurada", disse o mandatário. "Um novo governo tomará posse no dia 20 de janeiro", observou.

Trump também afirmou que sua campanha "buscou vigorosamente todas as vias legais para contestar o resultado das eleições. Meu único objetivo era assegurar a integridade dos votos. Ao fazê-lo, eu estava lutando para defender a democracia americana".

"Ser seu presidente foi a maior honra de minha vida", disse Trump, ao concluir sua mensagem. "A todos os meus maravilhosos apoiadores, sei que estão decepcionados, mas quero que saibam que nossa incrível jornada está apenas começando."

No dia da invasão, Trump havia se manifestado no Twitter de maneira a parecer defender os invasores. "Há coisas e eventos que acontecem quando uma vitória eleitoral esmagadora e sagrada é retirada sem cerimônia e cruelmente de grandes patriotas, que vêm sendo tratados de forma má e injusta por tanto tempo. Vão para casa com amor e em paz. Lembrem-se deste dia para sempre!", escreveu.

Em função do teor de suas mensagens, o Facebook, que também controla o Instagram, tirou do ar na quinta-feira as páginas de Trump em ambas as redes sociais até pelo menos Biden tomar posse como presidente. Na sexta-feira, o Twitter também decidiu suspender a conta de Trump permanentemente, devido ao risco de que ele usasse seu perfil para propagar novos incentivos à violência.

BL/ap/ots