Potências ocidentais pressionam por sanções contra o Irã, apesar de acordo mediado pelo Brasil | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 26.05.2010
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Mundo

Potências ocidentais pressionam por sanções contra o Irã, apesar de acordo mediado pelo Brasil

Os EUA e as potências europeias insistem em desconsiderar as concessões de Teerã no acordo assinado sob mediação do Brasil. Membros do Conselho de Segurança da ONU aceleram ritmo para aumentar sanções contra o Irã.

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Ahmadinejad em visita a uma instalação nuclear iraniana

Uma semana após o anúncio do acordo entre o Irã e a Turquia, sob mediação do Brasil, aumenta a pressão para que sejam impostas novas sanções econômicas contra o país asiático.

Membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas estão elaborando uma resolução contra o governo de Ahmadinejad para ser votada o quanto antes – e o ritmo acelerado de trabalho se deve especialmente à pressão dos Estados Unidos.

O novo acordo nuclear iraniano, em que o governo se compromete em enviar 1,2 tonelada de urânio pouco enriquecido para a Turquia, em troca de 120 quilos de combustível nuclear, não recebeu aprovação do governo americano e do recém-empossado gabinete do premiê britânico, David Cameron.

Em seu primeiro discurso perante o Parlamento inglês, nesta terça-feira (25/06), Cameron seguiu a mesma linha expressa pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmando que estaria na hora de aumentar a pressão sobre Teerã: "O tempo é curto."

Teerã

A república islâmica apresentou na última segunda-feira o acordo à Agência Internacional de Energia Nuclear. No entanto, as potências ocidentais insistem que a quantidade de urânio pouco enriquecido que ficará no Irã permitiria ao país construir uma bomba atômica.

Afinal, segundo informações do Ocidente, na época em que a comunidade internacional havia sugerido um acordo similar ao selado agora, estimava-se que o Irã dispunha de 1,2 tonelada de urânio enriquecido; agora, quase sete meses depois, o país já teria um estoque de 2 e 2,4 toneladas. "Há uma pequena diferença entre ambos os casos, e isso também é parte do problema", afirmou um porta-voz do Ministério do Exterior da França.

O governo de Ahmadinejad continua alegando que o combustível a ser mantido no território é necessário para o tratamento de pacientes com câncer e para outras finalidades não militares.

Para Hillary Clinton, o acordo não é suficiente para esmorecer os receios globais. "Há várias deficiências nele que não respondem às preocupações da comunidade internacional", disse Clinton durante visita a Pequim.

No Brasil

Após o presidente Lula ter criticado claramente a posição norte-americana nas negociações com o Irã, o presidente norte-americano, Barack Obama, declinou de um convite para visitar o Brasil antes de Lula deixar o cargo.

Já que o Brasil está em ano eleitoral, os candidatos da oposição ao posto de presidente não deixam a discussão sobre o caso iraniano fora da pauta. José Serra, do PSDB, disse que acredita que as intenções de Lula sejam boas, mas que não confia no presidente iraniano. "Eu até torceria para dar certo (o acordo nuclear fechado entre Irã, Brasil e Turquia), mas não acredito", comentou.

Já Marina da Silva, do Partido Verde, expressou preocupação. "Temos que ficar bastante atentos, porque, na prática, o que eles querem, no meu entendimento, é fazer a bomba atômica", afirmou Marina.

NP/lusa/dpa/rts
Revisão: Simone Lopes

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