Palocci fecha acordo de delação premiada com a PF | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 26.04.2018
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Brasil

Palocci fecha acordo de delação premiada com a PF

Preso há um ano e meio, ex-ministro dos governos Lula e Dilma vai colaborar com policiais no Paraná, após fracassar tentativa de acordo com procuradores da Lava Jato. Delação poderia dar novo impulso à operação.

O ex-ministro Antonio Palocci assinou acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) no Paraná, segundo informou a imprensa brasileira nesta quinta-feira (26/04). Preso desde setembro de 2016, ele foi um político de confiança dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Segundo o jornal O Globo, as duas partes já estabeleceram os benefícios que serão concedidos a Palocci, além de terem concluído a fase de depoimentos, ambos em sigilo. A colaboração, contudo, ainda precisa ser homologada pela Justiça para que passe a valer.

Como Palocci não mencionou pessoas com foro privilegiado em seus depoimentos, o acordo pode ser legitimado pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância.

Uma fonte próxima ao caso revelou ao diário carioca que as informações e os documentos fornecidos pelo político podem levar à abertura de novos inquéritos, à deflagração de novas operações e até mesmo a realização de prisões, o que daria um novo impulso à Lava Jato.

Segundo o jornal Estado de S. Paulo, as delações do ex-ministro estão sendo feitas aos delegados da operação na Superintendência da PF em Curitiba, onde ele está preso há mais de um ano e meio.

Antes de fechar o acordo com a Polícia Federal, Palocci havia tentado assinar colaboração com o Ministério Público, mas as negociações não avançaram. Há uma disputa entre as duas corporações no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre quem deve tratar desses acordos de delação.

Em junho do ano passado, Moro condenou o ex-ministro a mais de 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o juiz, Palocci negociou propinas com a Odebrecht, em troca de benefícios para a construtora em contratos com a Petrobras.

Meses mais tarde, em depoimento a Moro, o político acusou Lula de ter recebido vantagens ilícitas da Odebrecht como compensação pelo tratamento que a empreiteira recebeu durante os governos petistas. "Eu tenho conhecimento porque participei de boa parte desses entendimentos na qualidade de ministro", disse ele na época.

Segundo Palocci, o ex-presidente firmou um "pacto de sangue" entre o PT e a Odebrecht na transição entre os governos Lula e Dilma no final de 2010. A empreiteira teria se comprometido a repassar ao partido 300 milhões de reais. O "pacote de propina", segundo o ex-ministro, incluía ainda o terreno para a construção do Instituto Lula e a reforma de um sítio em Atibaia.

Palocci foi ministro da Fazenda entre 2003 e 2006, na gestão Lula, e ministro-chefe da Casa Civil durante seis meses em 2011, no governo Dilma. Em setembro de 2017, dias após fazer acusações sobre o ex-presidente petista e sob ameaça de ser expulso do PT, ele pediu sua desfiliação do partido.

EK/dw/ots

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