Ministro israelense descarta investigação sobre mortes em Gaza | Notícias internacionais e análises | DW | 01.04.2018
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Mundo

Ministro israelense descarta investigação sobre mortes em Gaza

Avigdor Liebermann, titular do Ministério da Defesa, diz que ação que resultou na morte de 17 palestinos foi "necessária" e que soldados merecem "uma medalha". Com isso, Israel rejeita apelos da ONU e União Europeia.

Funeral simbólico em memória dos mortos no protesto da sexta-feira em Gaza

Funeral simbólico em memória dos mortos no protesto da sexta-feira em Gaza

O ministro da Defesa de Israel, Avigdor Liebermann, rejeitou neste domingo (01/04) pedidos de investigação sobre a morte de pelo menos 17 palestinos por militares israelenses durante uma série de manifestações que ocorreram na fronteira entre Gaza e Israel. Segundo o ministro, os soldados agiram corretamente.

"Soldados israelenses fizeram o que era necessário. Acho que todos os nossos soldados merecem uma medalha", disse ele à rádio do Exército de Israel. "Quanto a uma comissão de inquérito – não haverá uma", acrescentou ele.

Neste domingo, o embaixador palestino na ONU, Riyad Mansour, afirmou que o número de palestinos mortos nos recentes protestos aumentou para 17, ante os 15 divulgados anteriormente. Entre eles há crianças menores de 16 anos.

Autoridades palestinas consideram as ações de Israel "um enorme massacre contra nosso povo", disse Mansour a repórteres em Nova York, antes de uma reunião do Conselho de Segurança convocada pelo Kuwait. Ele pediu ao órgão que tome medidas "para fornecer proteção à população civil" em Gaza.

Dia de luto

Os palestinos declararam um dia nacional de luto no sábado (31/03), depois que os protestos do dia anterior resultaram em confrontos e marcaram o dia mais sangrento na Faixa de Gaza desde a guerra de 2014.

Mais de 1.400 pessoas também ficaram feridas durante as marchas na fronteira entre Israel e o território palestino.

A série de manifestações foi convocada pelo grupo terrorista palestino Hamas e marca o início de uma jornada de protestos prevista para durar seis semanas, batizada como "A Grande Marcha do Retorno". O objetivo é demonstrar repúdio contra a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

A data escolhida para o início dos protestos também foi simbólica, já que marcou o chamado "Dia da Terra", que celebra todo 30 de março a memória de seis árabes israelenses que foram mortos em 1976 durante um protesto contra o confisco de terras.

A previsão é que os protestos se estendam até 15 de maio, outra data simbólica, chamada pelos palestinos de Nakba, ou "catástrofe", que marca a lembrança do deslocamento de centenas de milhares de palestinos do atual território israelense após a criação do Estado judeu em 1948.

Consequências

Os protestos no sábado registraram menos incidentes do que no dia anterior. Houve apenas episódios de pequenos grupos de palestinos atirando pedras em vários locais ao longo da cerca na fronteira. Segundo o Ministério da Saúde em Gaza, 25 pessoas ficaram feridas devido a disparos efetuados pelos israelenses.

As Forças Armadas de Israel disseram que pelo menos oito dos 17 mortos nos protestos de sexta-feira eram membros do Hamas e que outros dois eram membros de outros grupos em Gaza. O Hamas admitiu que cinco dos mortos faziam parte de suas fileiras.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, elogiou a atuação dos soldados, que, segundo ele, permitiu que o resto do país celebrasse a festa da Páscoa com segurança.

ONU e UE pedem investigação

O chefe da ONU, António Guterres, e a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, pediram uma "investigação independente e transparente" para apurar o uso de munição real por parte de Israel durante os protestos.

Mas uma moção nesse sentido apresentada pelo Kuwait no Conselho de Segurança da ONU foi rejeitada pelos Estados Unidos.

JPS/ap/dpa/afp

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