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Soldados soviéticos hasteiam bandeira após queda do Reichstag
Soldados soviéticos hasteiam bandeira após queda do ReichstagFoto: picture-alliance/RIA Nowosti
História

Berlim lança exposição virtual sobre fim da Segunda Guerra

4 de maio de 2020

"Você quer o que você vota?" é uma das frases da campanha de lançamento do projeto, que, além de mostrar imagens e depoimentos históricos, pretende refletir sobre como uma democracia se torna uma ditadura.

https://www.dw.com/pt-br/berlim-lan%C3%A7a-exposi%C3%A7%C3%A3o-virtual-nos-75-anos-do-fim-da-segunda-guerra/a-53327364

Em 8 de maio de 1945, encerrava-se um dos capítulos mais sombrios da história alemã. A data ficou conhecida como o Dia da Libertação do Nazismo. Neste ano, diversos eventos foram programados para comemorar o aniversário de 75 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, mas as celebrações acabaram sendo atropeladas pela pandemia de covid-19.

Em Berlim, o principal evento seria uma grande exposição ao ar livre em diversos pontos históricos da cidade. Para marcar a importância da data, o governo da capital alemã decretou ainda feriado no dia 8 de maio deste ano. Assim, todos teriam a possibilidade de participar das comemorações.

Da mesma maneira que as cerimônias dos 75 anos de libertação de campos de concentração em meados de abril foram canceladas e transportadas para plataformas digitais devido às medidas de isolamento social impostas no país, Berlim também transferiu a exposição para a internet.

Ao longo desta semana, estão sendo lançados podcasts, vídeos com depoimentos de testemunhas históricas e um aplicativo de realidade aumentada sobre os momentos que marcam essa data. O principal destaque do projeto é uma exposição virtual que debate diversos temas, entre eles o caminho de uma democracia para uma ditadura, os crimes nazistas, a dimensão europeia da guerra e a libertação da Alemanha.

Quatro lugares históricos estão em foco na exposição: o Reichstag, o Portão de Brandemburgo, a Alexanderplatz e o campo de concentração de Sachsenhausen.

Para chamar a atenção para a exposição e marcar a data, o governo de Berlim lançou uma campanha com cartazes espalhados por diversos pontos da cidade. Manchetes como "no início foi a eleição", "você quer o que você vota?" e "uma eleição e seu resultado" são confrontadas com imagens da cidade destruída no fim da Segunda Guerra Mundial.

Escombros e corpos em meio à batalha em Berlim
Batalha em Berlim precedeu fim da Segunda Guerra MundialFoto: picture-alliance/akg-images

Visando ressaltar que eleições democráticas abriram o caminho para a ditadura de extrema direita do regime nazista no país, a campanha, segundo o site do projeto, também pretende lembrar "que é responsabilidade de todos evitar que a história se repita".

Com o crescimento do apoio a populistas de direita na Alemanha, que constantemente banalizam os horrores nazistas, e o avanço da extrema direita em todo o mundo, relembrar a história e manter viva essa memória se faz mais importante do que nunca.

"O perigo da extrema direita existe. Agora também vemos teorias da conspiração buscando transformar determinados grupos em bodes expiratórios para a pandemia", afirmou o secretário de Cultura de Berlim, Klaus Lederer, durante a coletiva de imprensa virtual sobre a exposição.

Aos jornalistas, Lederer ressaltou que, por isso, essa data deve ser usada para recordar o que pode acontecer quando extremistas chegam ao poder e também sobre como esse extremismo é alimentado.

Em relação às comemorações há um aspecto positivo do impacto da pandemia: a exposição, inicialmente local, migrou para o mundo digital e, desta forma, está acessível a um público muito maior. Qualquer um, em qualquer parte do mundo, poderá visitar esse museu virtual e conhecer um pouco mais dessa história.

Por outro lado, essa talvez seria a última efeméride na qual poderíamos vivenciar pessoalmente os relatos de testemunhas desse período, e isso, para mim, é uma das maiores perdas dessa mudança.

A exposição está disponível, em alemão e inglês, até 2 de setembro aqui

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Clarissa Neher é jornalista da DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy. Siga-a no Twitter.

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