Alemanha Oriental, uma experiência fracassada de ditadura | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 08.11.2019
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Alemanha

Alemanha Oriental, uma experiência fracassada de ditadura

A Alemanha ficou dividida de 1945 a 1990, o que pode ser sentido ainda 30 anos depois da revolução ocorrida na parte leste do país. Segundo especialista, este capítulo da história alemã só estará fechado em 2070.

Em 7 de outubro de 1989, o regime comunista celebrou seu aniversário pela última vez

Em 7 de outubro de 1989, o regime comunista celebrou seu aniversário pela última vez

A República Democrática Alemã (RDA) era o nome oficial do segundo Estado alemão fundado em 7 de outubro de 1949, quatro anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. O primeiro, a República Federal da Alemanha (BRD, em alemão), havia sido formado quatro meses antes. A divisão alemã correspondeu à reivindicação e configuração de poder das potências vitoriosas de 1945: por um lado, os EUA, Reino Unido e França e, por outro, a União Soviética. Juntos, eles derrotaram o fascista Reich Alemão. Mas, depois disso, as duas Alemanha trilharam caminhos diferentes.

Os aliados ocidentais estabeleceram uma democracia parlamentar na Alemanha Ocidental, enquanto o ditador soviético Josef Stalin estendeu seu domínio territorial a quase toda a Europa do Leste. Entre as principais características estavam a economia planificada, inexistência de Estado de Direito nem liberdade de imprensa nem de deslocamento. Sob essas condições, Estados como Polônia, Hungria ou Romênia – e também a Alemanha Oriental – existiram até a guinada política de 1989/1990. De acordo com a concepção ideológica de si mesmos, eram democracias populares. Mas, de fato, eram ditaturas.

Dentro do chamado Bloco do Leste, a Alemanha Oriental foi um caso geográfico e político especial, porque em sua fronteira ocidental começava a parte livre da Europa. E no meio de seu território, a antiga capital Berlim era também dividida. Ela era o símbolo da Alemanha nazista, da qual todas as quatro potências vitoriosas da Guerra Mundial reivindicaram um pedaço para si. É por isso que Berlim Ocidental era um ilha de liberdade no meio da Alemanha Oriental comunista.

Êxodo em massa até a construção do Muro de Berlim em 1961

Na cidade dividida, as diferenças entre os sistemas capitalista e socialista colidiram ali de maneira acentuada. A metrópole, com um total de 3,3 milhões de habitantes, era o ponto principal da Guerra Fria – e, até 1961, a maior brecha para fugitivos. Isso, porém, foi interrompido com a construção do Muro de Berlim. Naquela época, mais de um milhão de pessoas já haviam abandonado a Alemanha Oriental porque já não aguentavam a crise econômica e o clima psicológico em uma sociedade não livre.

Após a construção do Muro, as pessoas na Alemanha dividida se tornaram cada vez mais estranhas umas às outras. No nível diplomático, no entanto, houve uma aproximação a partir da década de 1970 com a política de distensão iniciada por Willy Brandt, chanceler federal da Alemanha Ocidental. Por isso, o social-democrata recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Geopoliticamente, a existência de dois Estados alemães se manifestou em 1973 com a admissão de ambos os países como membros de pleno direito na ONU.

Mikhail Gorbatchev acelerou o fim da RDA

No entanto, o período de relativa estabilidade da Alemanha Oriental durou apenas alguns anos. Economicamente, o regime não era viável a longo prazo. As dificuldades econômicas teriam contribuído para o fracasso da ditadura da Alemanha Oriental, afirma Frank Bösch, diretor do Centro Leibniz de Pesquisa Histórica Contemporânea (ZZF). Ele se refere à ligação financeira com os países ocidentais, com os quais a Alemanha Oriental estava fortemente endividada.

Crucial, no entanto, foi a insatisfação da população, "que se mostrou na incrível pressão para deixar o país". Após a tomada do poder pelo reformador Mikhail Gorbatchev na União Soviética, em 1985, muitas pessoas na Alemanha Oriental esperavam uma mudança de rumo também em seu próprio país. Mas ditador da Alemanha Oriental, Erich Honecker, permanecia irredutível. A população demonstrou seu descontentamento com protestos nas ruas e empresas e, ainda, com o número crescente de pedidos para sair do país: em dois anos, o número dobrou de 53 mil para 105 mil. No entanto, apenas uma fração foi autorizada a deixá-la. 

Último aniversário da Alemanha Oriental

Honecker e o Ministério de Segurança do Estado (MfS, em alemão), conhecido como Stasi, já não conseguiam conter o colapso da RDA. A população de outros países do leste europeu, sobretudo na Polônia e Hungria, também se revoltou. Segundo o historiador Bösch, tudo isso só foi possível porque a União Soviética reduziu a pressão e diminuiu o apoio militar.

Em 7 de outubro de 1989, o regime comunista celebrou seu aniversário pela última vez: 40 anos da República Democrática Alemã. Apenas um mês depois, em 9 de novembro, o Muro de Berlim caiu. Milhões de alemães do leste e oeste entraram numa onda de imensa alegria. Ainda ninguém havia ouvido o sino da morte tocar para a RDA. Porém, ele soou de forma inconfundível um ano depois, em 3 de outubro de 1990, quando os dois Estados alemães se reunificaram.

"Alemães orientais têm um gosto musical diferente"

Enquanto isso, o pequeno país de 17 milhões de habitantes faz parte da ampliada República Federal da Alemanha nos últimos 29 anos, onde vivem atualmente 83 milhões de pessoas. No entanto, não se pode falar de uma pátria alemã: a economia na parte ocidental é muito mais forte, onde se ganha melhores salários e existem poucos executivos do leste alemão. O especialista Bösch registra diferentes atitudes e memórias dos tempos da Alemanha Oriental pelas quais as pessoas costumavam ser guiadas: "Os alemães orientais têm um gosto diferente na mídia e na música. Eles viajam e também decidem diferentemente em termos políticos."

O historiador não espera ajustes rápidos. Passará muito tempo até que a Alemanha Oriental, que desapareceu como Estado, seja um capítulo fechado nas mentes dos alemães. A história vivenciada compreende mais ou menos três gerações: muitos sabem ainda por relatos pessoais o que seus avós vivenciaram. 

"Especialmente o Muro e coisas semelhantes se tornaram ícones tais que essa memória estará presente como uma forma viva de história", afirma Bösch. A Alemanha Oriental só será um capítulo morto da história depois de entre 70 e 80 anos, prevê o historiador com referência às suas experiências da época do Nacional-Socialismo: isso está se fechando lentamente só agora, no momento em que "as últimas testemunhas oculares não vivem mais". E esse poderá ser o caso da Alemanha Oriental, no mínimo, no ano de 2070. 

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