Africanos e sul-americanos disputam tráfico de drogas para a Europa | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 22.11.2009
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Mundo

Africanos e sul-americanos disputam tráfico de drogas para a Europa

Quantidade cada vez maior de drogas é transportada da América do Sul para a Europa, passando pela África Ocidental. Funcionário da ONU diz que os próprios africanos buscam a droga no Brasil para revendê-la na Europa.

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Guiné-Bissau é ponto de transbordo de drogas

Após a queda de um avião de cargas da Venezuela no início deste mês, nas proximidades de Gao, no norte do Mali, as Nações Unidas suspeitam que ele teria carregado cerca de dez toneladas de cocaína para a África. A aeronave do tipo Boeing caiu no deserto, a mil quilômetros da capital Bamako, logo após a ter decolado para seguir voo. A droga já havia sido descarregada.

Nos restos incendiados do avião não foram encontrados nem a carga nem vítimas do desastre. Em contrapartida, foram achados número de série e um navegador GPS. Para Alexandre Schmidt, do Escritório da ONU contra Drogas e Crime, essas são as provas de que o avião era usado para contrabandear drogas da América do Sul para a Europa.

Competição perigosa

A rota da Venezuela para a África Ocidental é conhecida, explicou Schmidt. "Através dela, dimensões bem novas do tráfico de drogas estão se desenvolvendo agora de forma bem clara – um avião como aquele pode carregar até dez toneladas de cocaína." Até agora, a droga era transportada, sobretudo, em navios-contêiner ou pequenas aeronaves, disse Schmidt. "Agora a coisa toda ganha uma dimensão maior que antes."

Os chefões sul-americanos do tráfico transformaram a África Ocidental em centro de transbordo da droga. Anualmente, 250 toneladas de cocaína no valor de centenas de milhões de euros são transportadas para Serra Leoa, Guiné-Bissau, para Conacri (capital da Guiné) ou Mauritânia. Ou seja, para países ameaçados pela corrupção, por golpes de Estado e pelo perigo de guerra civil.

Até o momento, principalmente os cartéis colombianos controlavam o tráfico. Mas isso mudou, afirmou Schmidt, explicando que os próprios africanos se tornaram traficantes e verdadeiras guerras pelo controle do tráfico deverão acontecer.

Know-how da droga

O funcionário das Nações Unidas disse que cada vez mais bandos nigerianos buscam, eles mesmos, a droga no Brasil. Eles a levam então para a África e a distribuem em seguida na Europa, através de migrantes africanos. "Uma competição perigosa está se desenvolvendo e os nigerianos estão, no momento, mais fortes que os colombianos. Eles simplesmente passam direto por São Paulo e mudam as rotas na África Ocidental", explicou Schmidt.

E a coisa não fica por aí. Em julho último, forças de segurança da ONU apreenderam em Conacri, em diversos laboratórios secretos, grandes quantidades de substâncias químicas. Não eram colombianos que estavam trabalhando por lá: o know-how da droga já chegou há muito tempo na África.

"Nigerianos estavam envolvidos em todos os sete laboratórios que descobrimos, e todos estavam equipados para produzir a heroína, feita a base de ópio – e também a droga química ecstasy", acresceu Schmidt.

Lucrativa "areia branca do Saara"

Schmidt informou que somente as drogas encontradas ali tinham um valor de 125 milhões de euros. O comércio da droga toma uma nova direção e as autoridades da África Ocidental nada fazem para combatê-lo. Os policiais nos países mais pobres do mundo são mal pagos e são ainda mais mal equipados.

Todos esperam pelo apoio dos europeus – já que é lá, afinal de contas, que estão os consumidores do produto. A grande ajuda, no entanto, ainda não aconteceu. Mesmo assim, autoridades policiais europeias, juntamente com a Europol (Polícia Europeia), iniciaram há pouco tempo a patrulha das costas da África Ocidental em navios de guerra.

O objetivo é impedir que a droga chegue à Europa por via marítima. Todavia, perante a lucrativa "areia branca do Saara", os europeus estão impotentes. A carga do avião que caiu no deserto já deve ter sido vendida há tempos. E um Boeing antigo retirado de serviço custa apenas cerca de 100 mil euros aos cartéis da droga.

Autor: Alexander Göbel (ca)

Revisão: Alexandre Schossler

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