Abstração como fio de Ariadne na obra de Gerhard Richter | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 28.06.2018
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Arte

Abstração como fio de Ariadne na obra de Gerhard Richter

Museu Barberini, de Potsdam, reúne sob tema comum cerca de 90 obras do aclamado pintor alemão, dos anos 1950 até as mais recentes. E acrescenta um aspecto particular às grandes retrospectivas sobre o artista de 86 anos.

Pintor Gerhard Richter estuda distribuição das telas para mostra em Potsdam

Pintor Gerhard Richter estuda distribuição das telas para mostra em Potsdam

A exposição de Gerhard Richter em Potsdam se chama, simplesmente, Abstraktion – abstração. Através de 90 quadros, a intenção é traçar um grande arco, desde os anos 1960 até as obras mais recentes do pintor alemão. O local é o Museu Barberini, recém-inaugurado em 2017 num palácio restaurado, no centro histórico da cidade.

No foco do evento está o "tema central" do artista nascido em 1932, promete o museu. Pois "a abstração se estende como um fio de Ariadne pela pintura de Richter", afirma a diretora Ortrud Westheider, que organizou a mostra juntamente com o biógrafo de Richter, Dietmar Elger. Para ela, por mais volátil e multifacetada que pareça, nas mudanças entre as diferentes fases, a obra do artista se desenvolveu como constante continuação e transformação da abstração.

Rot-Blau-Gelb, Gerhard Richter 1972

"Vermelho-azul-amarelo", 1972

"Por meio da introdução calculada do acaso, Richter faz recuar o controle consciente do processo pictórico. Ele trabalha com estruturas reticuladas ou passa o rodo por toda a superfície do quadro." O pintor evita páthos criativo, prossegue Westheider, assim como significados externos à arte: "Os quadros têm seu efeito por si próprios".

O biógrafo Elger confirma que a abstração é um aspecto que, dos anos 1950 até hoje, atravessa a obra de Richter. Por outro lado, o "ato de equilibrismo entre realismo e abstração é algo que também aparece nas obras de juventude, nos anos 50". "Por isso, Richter as integrou na mostra, como entrée, como abertura."

Dietmar Elger é biógrafo e diretor do arquivo Gerhard Richter em Dresden. Em segundo plano, telas da fase fotográfica do pintor

Dietmar Elger é biógrafo e diretor do arquivo Gerhard Richter em Dresden. Em segundo plano, telas da fase fotográfica do pintor

Um lugar na história da arte

As obras apresentadas no Barberini proveem de coleções privadas e de museus, e em parte nunca foram vistas em público. Estão expostas as telas quase fotográficas de Richter, em preto-e-branco, lado a lado com seus quadros em cinza, as "Vermalungen" ("repinturas") e pinturas abstratas do fim da década de 70, quando Richter atacava suas telas com pincel, rodo, espátula e muita tinta.

Para Elger, trata-se de "um pintor que encontrou seu lugar na história da arte". Ele representa "uma obra inovadora, que tanto reflete o Modernismo como deu impulsos importantes para o avanço da pintura numa época de Pós-Modernismo, em que a pintura, na verdade, não tem mais o significado de antes". "Mas Richter diz, justamente: pintar não é só possível, pintar é um enunciado importante", conclui o também diretor do arquivo do artista em Dresden.

192 Farben, Gerhard Richter 1966

"192 cores", 1966

A obra artística de Gerhard Richter tem sido celebrada em grandes retrospectivas por todo o mundo. Já em 2002 o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa) lhe dedicava uma mostra individual. Em torno de seu 80º aniversário, em 2012, a galeria Tate Modern, de Londres, a Neue Nationalgalerie, de Berlim e o Centro Pompidou, em Paris, deram enorme destaque à obra do alemão.

Gerhard Richter.Abstraktion, no Museu Barberini de Potsdam de 30 de junho a 21 de outubro de 2018, acrescenta um aspecto particular a essas grandes exposições internacionais.

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