Timor-Leste cancela missão da CPLP a Bissau
13 de fevereiro de 2026
A notícia do cancelamento da missão de bons ofícios da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) à Guiné-Bissau, onde deveria permanecer até dia 21 deste mês, foi avançada pela agencia de notícias Lusa, que cita fontes oficiais.
"Concordo com a decisão do Presidente da República em rejeitar prosseguir com a missão a Bissau", pode ler-se também num documento assinado pelo primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, com data de hoje (13,02).
A notícia do cancelamento surge depois de o chefe do Governo timorense ter dito, na quarta-feira (11.02), que o golpe de Estado de novembro demonstra que a Guiné-Bissau é um Estado falhado e salientou que é preciso ajudar no desenvolvimento da democracia e direitos humanos.
"Fomos ajudar a montar todo o sistema, nomeadamente a CNE [Comissão Nacional de Eleições] (....) , para realizarem as primeiras eleições democráticas na Guiné-Bissau. Mas depois disto, voltar agora com um golpe militar ou golpe de Estado, já não falamos de Estado frágil, falamos de Estado falhado", salientou Xanana Gusmão.
Após o golpe de Estado de 2012, Timor-Leste prestou durante vários anos apoio à Guiné-Bissau na organização de eleições.
A missão da CPLP seria chefia pelo ministro timorense da Defesa, Donaciano Rosário Gomes, e incluía elementos de Angola, São Tomé e Príncipe e de Timor-Leste, num total de 15 pessoas.
Governo de transição repudia declarações de Xanana
O Governo guineense de transição já repudiou declarações de Xanana Gusmão, afirmando que "revelam falta de dignidade e de postura política e moral" para "avaliar a realidade" institucional do país, criticou o Ministério dos Negócios Estrangeiros guineense num comunicado, considerou que "as declarações
"Xanana Gusmão, tal como José Ramos-Horta [Presidente timorense], possui um historial de controvérsias públicas que fragilizam a autoridade com que se pronunciam sobre a governação de outros Estados", é suiblinhado na nota.
Timor-Leste assume desde dezembro a presidência da CPLP, que foi retirada à Guiné-Bissau após o golpe de Estado de 26 de novembro, que depôs o então Presidente Umaro Sissoco Embaló, e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.