Somália cancela eleições e mergulha em impasse político | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 08.02.2021

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Internacional

Somália cancela eleições e mergulha em impasse político

Eleições gerais estavam marcadas para esta segunda-feira, mas foram canceladas devido à discordância entre líderes políticos. Presidente cessante Mohamed Farmajo diz que há “interferência externa” no pleito.

Dschibuti Einweihung Internationale Freihandelszone

Presidente Mohamed Abdullahi Farmajo

As eleições gerais na Somália, que deveriam ter lugar esta segunda-feira (08.02), serão adiadas após o fracasso das negociações entre as principais lideranças políticas do país. Segundo o Presidente Mohamed Abdullahi Farmajo, as tentativas de realização do pleito foram travadas.

O impasse poderá conduzir a uma crise política de novas dimensões na nação do Corno de África - que já enfrenta uma violenta insurreição islâmica, uma invasão de gafanhotos, a pandemia de Covid-19 e graves carências alimentares. As partes devem voltar à mesa das negociações.

"Esperava que tivesse havido algum tipo de compromisso para sairmos do impasse, mas infelizmente essa perspetiva não se concretizou. Ainda há esperança, porém, vamos seguir em frente e agendar novas negociações. Uma coisa eu digo-vos, há interferência estrangeira nos processos eleitorais da Somália", disse Farmajo no Parlamento

Farmajo é candidato a reeleição e permanece no cargo até que seja acordada uma nova data para o pleito. Devido à falta de recursos e preocupações com a segurança, a Somália não aplica um sistema de votação direta. Em vez disso realizam uma escolha indireta: 51 colégios eleitorais selecionados por líderes de clãs elegem legisladores que, por sua vez, elegem o Presidente.

Somalia Präsidentschaftswahl

Membros do Parlamento somali esperam o momento de escolher o Presidente em 2017

O que impediu o pleito

Em setembro do ano passado, os líderes federais da Somália, juntamente com o Presidente, concordaram em manter o sistema de colégios eleitorais em vez de os cidadãos votarem. Na semana passada, contudo, não conseguiram chegar a acordo sobre os termos desse sistema.

"Eu e alguns outros estados membros mostrámos compromissos durante discussões e o acordo de setembro, mas as lideranças de Jubalândia e Puntlândia mataram o tempo e atrasaram o processo de eleições de acordo com o acordo de setembro", disse o Presidente perante o Parlamento.

O número de colégios eleitorais foi fixado para duplicar este ano, de acordo com a lei somali, mas os representantes locais discordaram sobre a composição dos colégios. Também contestaram os membros da comissão eleitoral - um órgão de supervisão independente.

O Presidente e os seus aliados culparam os líderes de Jubalândia e Puntlândia pelo atraso. Numa conferência de imprensa, o ministro da Informação, Osman Dubbe, acusou os dois estados federais de estarem do lado do Quénia. No ano passado, a Somália e o Quénia romperam laços políticos depois de a Somália ter acusado o Quénia de se imiscuir em assuntos soberanos. 

"A liderança de Jubalândia Ahmed Mohamed Islaan, mais conhecido como Madoobe, um aliado amigável do Quénia, é o centro da rixa eleitoral", disse Dubbe.

Somalia Nach dem Anschlag auf Hotel Afrik in Mogadischu

Ataque de terroristas intensificaram-se

Troca de acusações

O líder de Jubalândia, Ahmed Madobe, um dos opositores de Farmajo, diz que o Presidente é o principal responsável pelos sucessivos fracassos nas negociações.

Segundo Madobe, o mandatário foi incapaz "de realizar eleições atempadas com base num amplo consenso político. É evidente que ele é responsável por todos os problemas, porque quer manipular as eleições".

Jubalândia é uma área exuberante e relativamente próspera da Somália e as lideranças políticas da região travam uma luta pelo poder com Mogadíscio. Jubalândia foi palco de recentes confrontos violentos entre as forças locais e governamentais. A deputada governista Sahra Omar Mali antevê dificuldades nas negociações.

O problema eleitoral dura muito tempo. Como disse o Presidente, porém, nem todos os estados membros federais estão envolvidos no problema. Há dois estados que fazem parte do impasse.

A incerteza sobre as eleições surge quando o país testemunha um intensificar dos ataques do grupo terrorista al-Shabab.

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