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Será o ANAMOLA o novo alvo da intolerância em Moçambique?

9 de outubro de 2025

MC Bandeira, dirigente do ANAMOLA, diz ter escapado a um atentado em Nacala. O caso reacende o debate sobre intolerância política e o espaço para novas forças na democracia moçambicana.

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Membros do ANAMOLA com o líder Venâncio Mondlane
Clima de tensão marca a estreia do ANAMOLA em Nacala após alegado atentado contra MC Bandeira.Foto: Jaime Álvaro/DW

Em Moçambique, o chefe nacional-adjunto de mobilização do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), David Bandeira, conhecido como MC Bandeira, afirma ter sido alvo de um novo atentado no último domingo, durante a apresentação oficial da formação política na cidade de Nacala, província de Nampula.

Segundo o dirigente, o ataque foi travado pelos seus apoiantes. Em declarações à DW, MC Bandeira garantiu que os sucessivos atentados não o farão desistir da sua luta política. A Polícia confirma o incidente e diz estar a investigar.

Clima de tensão

A cidade de Nacala parou num ambiente de festa e marcha para a apresentação do ANAMOLA, evento animado pelo próprio MC Bandeira. Foi nesse contexto que, segundo o político, a tentativa de assassinato ocorreu.

"Depois da marcha ter arrancado, existiram alguns homens armados civis, apenas se conseguiu detetar um, mas creio que existiam mais (assassinos) em colaboração. Uns estavam em frente da marcha a controlar o equilíbrio da Polícia — nós tínhamos conhecimento de que são eles que estavam a escoltar-nos — e aquele estava sempre atrás à procura de uma boa posição no sentido de fazer a sua ação”, contou.

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De acordo com MC Bandeira, o suspeito foi intercetado graças à vigilância dos membros e simpatizantes presentes na marcha.

"A população acabou investigando-o, apalpou-lhe e foi encontrado na posse de uma arma, e com aquele barulho todo eu tinha de continuar com a marcha e deixar uma equipa de trabalho a resolver a situação”, relatou.

O homem foi entregue às autoridades policiais para investigação. MC Bandeira suspeita de motivações políticas, mas garante que não será intimidado.

"Já sofri vários atentados, só que este foi um dos que conseguimos detetar que a pessoa estava mesmo com uma missão de satisfazer um grupo de pessoas. Desistir da luta pela almejada democracia em Moçambique não prometo, e vamos em frente porque estamos aptos para trabalhar para o ANAMOLA”, afirmou.

Reação policial e perseguições políticas

A porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nacala, Hermenegilda Carlos, confirmou o incidente, embora tenha recusado gravar entrevista. Limitou-se a dizer que o caso está a ser investigado e que a corporação se pronunciará oportunamente.

O coordenador provincial do ANAMOLA, Castro Niquina, denunciou que este não é um caso isolado e alertou para a existência de perseguições políticas em vários distritos da província de Nampula.

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"A província de Nampula não se assusta com isto. Há que dizer que ainda se registam algumas situações em alguns pontos, como por exemplo temos informação sobre a existência de um plano macabro no distrito de Mogovolas, contra o nosso coordenador distrital. Não só lá, temos algumas anomalias no distrito de Angoche, concretamente no Posto Administrativo de Nametória. Mas estamos a dizer a todos que vamos ser vigilantes. Um apelo à Polícia, assim como aos membros de qualquer partido que acham que o crime é uma via para controlar a política em Moçambique: estão enganados, porque não vamos permitir que a situação prevaleça nesse sentido”, declarou.

"Vergonhoso” para o país

O académico e analista político Wilson Nicaquela lamentou o sucedido e considerou o caso "vergonhoso” para o país, apelando a uma investigação rigorosa.

"Embora não se tenha declarado o mandante desta prática, é totalmente desnecessário, coincidentemente numa semana em que se faz o lançamento da auscultação pública para o diálogo nacional inclusivo, que se pretende ser um momento de aproximação e de redução de crispações. Eu penso que qualquer comportamento ligado a esses assassinatos de qualquer natureza, atentado contra a vida, assassinatos de carácter, ou a questão da desvalorização da opinião do outro, precisam de ser condenados de forma veemente”, afirmou.

O académico criticou ainda a sociedade moçambicana por, segundo ele, "relativizar” casos de violência política.

"Nós não podemos continuar a relativizar as vidas. Nós aparecemos depois de um acidente em que se perde a vida de uma pessoa a condenar os motoristas, mas aparece alguém que atenta contra a vida de um cidadão e isso ninguém diz nada, e é como se tudo fosse normal”, lamentou. 

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Sitoi Lutxeque Correspondente da DW África em Nampula