São Tomé e Príncipe: ADI elege novo presidente em congresso contestado | NOTÍCIAS | DW | 25.05.2019
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São Tomé e Príncipe: ADI elege novo presidente em congresso contestado

O novo líder do partido da oposição são-tomense, Agostinho Fernandes, promete ultrapassar problemas internos da Ação Democrática Independente e procurar consenso.

Foto de arquivo (2018): Campanha eleitoral do ADI

Foto de arquivo (2018): Campanha eleitoral do ADI

O novo líder do Ação Democrática Independente (ADI, oposição em São Tomé e Príncipe), eleito este sábado (25.05) por aclamação, definiu como prioridade a união do partido e anunciou que vai contatar "todos os atores sociais" para procurar "um consenso".

"Em primeiro lugar, vamos olhar para dentro de casa, vamos começar a tratar dos nossos problemas", afirmou Agostinho Fernandes, candidato único à liderança do ADI eleito por aclamação num congresso realizado na capital são-tomense. 

No seu discurso após a eleição, perante centenas de militantes, que enchiam o Cinema Marcelo da Veiga, sublinhou: "O compromisso que inequivocamente assumimos hoje é o de sarar as feridas no seio da nossa família política".

O novo líder do ADI garantiu ainda que vai promover o diálogo "com vista ao restabelecimento da confiança, da união e da coesão". 

Congresso teve lugar apesar de adiamento

A realização do congresso para eleger o presidente do partido - depois de o antigo líder, Patrice Trovoada, ter suspendido funções, em novembro passado - foi confirmada esta sexta-feira pela comissão eleitoral do ADI, contrariando o conselho nacional, que na quinta-feira tinha anunciado o adiamento do congresso, sine die, alegando "o ambiente que se vive" no interior do partido. 

Patrice Trovoada

Patrice Trovoada, ex-primeiro-ministro de São Tomé.

A decisão do conselho nacional surgiu dias depois de Patrice Trovoada, ausente de São Tomé e Príncipe há vários meses, ter enviado um vídeo a recomendar o adiamento do congresso. 

O antigo primeiro-ministro decidiu em novembro suspender as suas funções como presidente do ADI - vencedor das legislativas de outubro passado, mas que não formou Governo - depois de a comissão política do partido ter decidido indicar o ex-governante João Álvaro Santiago para chefiar um Executivo, a indigitar pelo chefe de Estado, e que o líder do partido considerou não ter o perfil necessário para alcançar um governo de base alargada ou de unidade nacional, como defendeu após as legislativas.  

"O momento político atual do nosso país apela a um ADI forte e coeso, capaz de fazer uma oposição cerrada, mas construtiva", afirmou Agostinho Fernandes este sábado, considerando que "o país, as instituições e os seus legítimos representantes passaram a ser a chacota do mundo, de tão desoladora que tem sido a atuação daqueles que deveriam representar [o povo] com dignidade".   

Depois de tratar dos problemas internos do partido, acrescentou em declarações aos jornalistas, a nova liderança do ADI irá contatar os restantes partidos políticos.

"Propomos iniciar um verdadeiro diálogo franco e aberto com todos os atores da nossa sociedade, desde os partidos políticos, organizações sindicais, instituições religiosas, organizações não-governamentais e também organizações empresariais e o setor privado, no sentido de nos comprometermos de uma vez por todas com o país que nós queremos", disse.

"Acreditamos que o principal problema é o clima de crispação desnecessário que vivemos. [Pretendemos] criar um espaço de entendimento, de consenso, para que os principais problemas do nosso país sejam postos em cima da mesa e todos possamos trabalhar, cada um com a sua filosofia e os seus princípios, os seus ideais, mas rumo a um ideal coletivo que é os superiores interesses do nosso país", afirmou Agostinho Fernandes. 

"Razão não está do lado" da ala pró-Trovoada

O novo presidente do partido afirmou-se ainda disponível para convocar um novo congresso para eleger a direção dentro de seis meses. 

Assistir ao vídeo 02:40

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"Não temos medo nem receios de eleição interna. (...) Caso os militantes e dirigentes do ADI assim o entendam, dentro de seis meses podemos voltar para um novo congresso eletivo para dar oportunidade a todos os que queiram para se poderem candidatar", anunciou.

Questionado, no final, sobre a possibilidade de a ala pró-Patrice Trovoada impugnar a sua eleição, Agostinho Fernandes deixou um conselho: "Que encontremos nós a solução, ao invés de recorrermos aos tribunais. Tenho plena consciência de que a razão não está do lado deles". 

Os militantes empunhavam bandeiras amarelas e azuis (cores do partido) e t-shirts com mensagens como "É a vez do povo mandar" (sic), "Vamos avançar", "Estamos prontos", mas também "Mais além", o slogan da candidatura às eleições legislativas de outubro passado, encabeçada pelo antigo presidente do ADI, Patrice Trovoada (primeiro-ministro entre 2014 e 2018).

Agostinho Fernandes evocou o antigo líder do partido, "cuja visão, dedicação e contribuição para o crescimento e relevância política do ADI lhe reservam, sem a mais pequena sombra de dúvidas, um lugar de honra na estrutura do partido", referiu, recebendo aplausos tímidos, que só aumentaram quando Agostinho Fernandes pediu "uma salva de palmas". 

"Patrice Trovoada foi um grande líder do ADI. Vamos, nesta perspetiva de união, encontrar com Patrice Trovoada mecanismos de consenso e entendimento para que o partido possa avançar, neste contexto em que ele, pessoalmente, não pode liderar o ADI", referiu.

No exterior do edifício, alguns militantes do ADI contestavam, indignados, a eleição de Agostinho Fernandes. 

"Este congresso é ilegal. É uma festinha deles", disse um apoiante do partido à Lusa, referindo que o objetivo de Agostinho Fernandes é "fazer uma coligação com o MLSTP" (Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata), atualmente no poder.

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