Ruanda: Há ditadura com Paul Kagame? | NOTÍCIAS | DW | 28.06.2019
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Ruanda: Há ditadura com Paul Kagame?

A oposição do Ruanda acusa o Presidente Paul Kagame de instalar um regime ditatorial. Mas no exterior o Ruanda tem boa reputação e Kagame é respeitado.

Paul Kagame, Presidente do Ruanda

Paul Kagame, Presidente do Ruanda

Os partidos da oposição do Ruanda acusam o Presidente do país, Paul Kagame, de instalar um regime ditatorial.

Bernard Ntaganda, fundador do Partido Social Imberakuri, é uma das vozes críticas contra o regime de Kagame. E ele esclarece: "Não estou a dizer que Kagame é um ditador, mas o seu regime é uma ditadura. O Ruanda não tem uma imprensa independente. Não há debate político aberto. Se não houver partido da oposição, como se pode dizer que o Ruanda é um país democrático?"

Victoire Ingabire, líder da oposição sonha com um Ruanda livre e democrático. Mas esse sonho, segundo presidente da FDU-Inkingi, está longe de se tornar realidade perante a situação vigente do país.

E sublinha: "Esse é o grande problema. Quem faz parte da oposição é acusado de ser inimigo do Ruanda. Mas nós não somos os inimigos do país."

Ouvir o áudio 02:38

Ruanda: Há ditadura com Paul Kagame?

Fora do país, o Ruanda não tem a reputação de um regime repressivo. O Presidente Paul Kagame é respeitado como homem que, com a Frente Patriótica do Ruanda, acabou com o genocídio de 1994. Cerca de um milhão de tutsis e hutus foram mortos em menos de cem dias, num dos piores genocídios no mundo pós Segunda Guerra mundial.

Imagem do país não corresponde a realidade

Desde o fim do genocídio que Kagame tem sido elogiado pelo seu estilo de liderança visionário e pela forma como conseguiu estabilizar o país. Hoje, o Ruanda é considerado um modelo de boa governação em África com uma economia estável e uma sociedade progressista.

Mas os críticos de Kagame entendem que a imagem que o país aparenta não corresponde a realidade dos fatos. Victoire Ingabire foi a primeira mulher a disputar a Presidência do Ruanda com Paul Kagame, em 2010, quando regressou de exílio político na Holanda. O nome de Ingabire nunca chegou a ser votado nas eleições.

Victoire Ingabire Oppositionsführerin Ruanda

Victoire Ingabire, líder da oposição

Mas ela não baixa os braços: "Precisamos convencer o Governo do Ruanda a abrir-se mais politicamente. É por isso que decidi deixar o meu marido e filhos para trás e ir para o Ruanda. Claro que isso não foi fácil para a minha família. Quando voltei ao meu país, eles colocaram-me na cadeia. Eu passei oito anos na prisão."

Perseguições

Como um dos principais criticos de Kagame, Ingabire é acusada de ameaçar a segurança nacional do Ruanda, promover o terrorismo e de minimizar o genocídio de 1994. À DW refutou todas as acusações.

A líder da oposição revela ainda que alguns dos seus seguidores estão detidos. E o seu assistente de 30 anos, Anselme Mutuyimana, que morreu em março de 2019, perdeu a vida na luta pela afirmação da democracia.

As autoridades dizem que as investigações sobre a morte do jovem está em curso, daí que Ingabire pede a justiça a todos os ruandeses.

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