Cabinda: Professores em greve exigem pagamento de subsídios
4 de março de 2026
A paralisação afeta oito dos dez dos municípios da província de Cabinda. A decisão foi tomada durante uma assembleia de trabalhadores dos municípios visados e surge na sequência de um caderno reivindicativo remetido ao governo provincial a 11 de dezembro passado.
Os professores reivindicam o pagamento de subsídios de isolamento em zonas recônditas, além do pagamento dos respetivos retroativos aos professores que exercem funções em áreas de difícil acesso.
A paralisação abrange todas as escolas públicas e comparticipadas do ensino pré-escolar, primário e secundário nos municípios visados. Em declarações à DW, Afonso Baiua, do Sindicato Nacional dos Professores Angolanos (SINPROF), diz tratar-se de uma medida extrema, adotada após sucessivas tentativas de diálogo sem resultados concretos.
"Já demos avanços, várias tentativas de diálogo, por isso, chegamos até ao ponto do caderno reivindicativo e a lei da greve prevê que quando uma entidade sindical entrega o caderno à entidade empregadora, esta deve responder por escrito no prazo de cinco dias. Mas passaram mais de 60 dias. Nesta realidade, os trabalhadores são livres de declarar a greve."
O professor Luís André Quivanga Lenda, que aderiu à greve, fala num direito que não foi cumprido. "Infelizmente até agora nada. A ministra do MAPTSS veio ao público dizer que seria pago com retroativos e de lá para cá nada."
A paralisação deverá estender-se até à próxima sexta-feira (06.03), podendo afetar significativamente o normal funcionamento das atividades letivas nas zonas abrangida dos municípios de Ngoio, Liambo, Tando-Zinze, Massabi, Necuto, Buco-Zau, Belize e Miconje.
Pais e alunos reagem à greve
José Albino é estudante do complexo escolar de PUNIV e diz o que sente relativamente à greve."Isso vai prejudicar muitos os alunos devido o atraso da matérias e muitos destes vão perder a dinâmica, no entanto é necessário uma reação para que o governo possa tomar uma decisão."
O encarregado de educação Félix Paca fala em consequências à vista com esta paralisação. "Vai atrapalhar obviamente porque os alunos vão ficar sem aulas e os professores verão também seus programas interrompidos e quando chegar as provas fica tudo mais complicado."
A greve aprovada não deverá ser interrompida sem que haja assinatura de um acordo formal que garanta a execução efetiva do pagamento dos referidos subsídios em todas as escolas dos municípios beneficiados.
"Fizemos os ofícios e remetemos à delegação das Finanças e esta por sua vez está a tratar com ministério de tutela, portanto nós temos estado a tratar com o delegado das Finanças e ele nos garante sempre a situação está tratar ao nível do ministério e que tenhamos calma", afirmou o secretário provincial da Educação, Boaventura Macaia.
A greve é interpolada e a 1.º fase vai de 2 a 6 de março, a 2.º fase de 17 a 24 de março, a 3.° fase de 20 a 24 de abril, a 4.° fase de 18 a 24 de maio, a 5.° fase de 9 a 19 de julho e abrange oito dos dez municípios da província.