″Pessoas entram sem máscara″: As queixas dos salões de beleza de Inhambane | Moçambique | DW | 27.05.2020
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Moçambique

"Pessoas entram sem máscara": As queixas dos salões de beleza de Inhambane

Nos salões de beleza de Inhambane, sul de Moçambique, muitos clientes não aceitam usar máscara nem lavar as mãos, como estipula o estado de emergência. Autoridades aguardam instruções para fiscalizar estes espaços.

Se por estes dias em Inhambane há quem tema ir aos salões de beleza com medo de contrair o novo coronavírus, outros arriscam, sem cumprir as regras do estado de emergência em vigor em Moçambique.

"Estão a dizer que os salões têm coronavírus porque muitas pessoas recorrem aos salões. Às vezes as pessoas entram sem máscaras e não querem lavar mãos. A situação está péssima", conta Brígida Magune, que trabalha num cabeleireiro.

Kelven Santos, outro funcionário do salão, também já teve de lidar com vários clientes que procuram os serviços de beleza, mas não aceitam o uso das medidas de prevenção da Covid-19. Tem medo de contrair a doença, mas não tem outra forma de sustentar a família:

"Não são todas as pessoas que aceitam, a maioria aceita. As pessoas que não aceitam lavar mãos com álcool, nós também não cuidamos. Se eu tiver medo de doença vou ficar em casa a fazer o quê? E vou comer o quê?", sublinha.

Máscara obrigatória

Com o estado de emergência em vigor desde 1 de abril e prolongado até 30 de maio, recomenda-se à população que fique em casa, se não tiver motivos de trabalho ou outros essenciais para tratar. E é obrigatório o uso de máscara na via pública.

Maria Joana teve mesmo de sair de casa porque não consegue tratar do cabelo sozinha. Recorreu a um salão de beleza na cidade de Maxixe, mas acabou por tirar a máscara. "Podemos contrair essa doença. Tenho de lavar o cabelo e em casa não seca porque é grande, mas tenho o meu álcool e máscaras. Só tirei [a máscara] para não se molhar", justifica.

Entretanto, devido à crise económica no âmbito da pandemia, alguns salões de beleza registam pouca afluência. É o caso do salão de Joana Manuel, onde é preciso cumprir algumas regras para ser atendido.

"Mas a maioria do tempo tenho ficado sozinha por causa da pandemia. Só se permite a entrada de pessoas que obtêm máscara. E quando entram aqui no salão vão diretamente lavar as mãos e desinfetar com álcool", nota Joana Manuel.

Fiscalização zero

Em pleno estado de emergência, não há fiscalização dos cabeleireiros por parte das autoridades. Segundo Juma Aly Dauto, porta-voz em Inhambane do comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), a corporação ainda não recebeu instruções específicas para os salões de beleza.

"Os cabeleireiros funcionam mas nós ainda não temos um documento determinado. Nós trabalhamos simplesmente com os aglomerados e com a falta do uso das máscaras. É este o trabalho que estamos a fazer, que é aquilo que foi determinado no decreto presidencial", explica.

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