Os grandes desafios da vacinação contra a Covid-19 em África | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 11.12.2020

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Os grandes desafios da vacinação contra a Covid-19 em África

Na semana em que o Reino Unido se tornou o primeiro país a vacinar a população contra a Covid-19, os especialistas são cautelosos nas previsões para África, que enfrenta muitos desafios como as condições de distribuição.

Na semana em que o Reino Unido se tornou o primeiro país no mundo a vacinar a população contra a Covid-19, os especialistas são cautelosos nas previsões para o continente africano. Enquanto outros países europeus se preparam para a vacinação, África ainda está na fase inicial. John Nkengasong, diretor do Centro de Doenças da União Africana CDC, acredita que as primeiras vacinações só começarão em meados de 2021.

O continente enfrenta uma série de desafios, entre eles, as condições de distribuição. "Prevemos que os problemas surjam particularmente em torno do armazenamento e distribuição destas vacinas específicas, a muito baixas temperaturas, 70 graus negativos. E nas necessidades energéticas, uma vez que os congeladores de temperaturas ultra-baixas requerem geradores e combustível de reserva. Vai ser um grande desafio", explica Michelle Seidel, especialista em cadeias de distribuição da UNICEF.

O financiamento é outra questão que preocupa os especialistas. Em setembro, o director do CDC estimava num artigo da revista Nature que seria necessário um total de 1,5 mil milhões de doses de vacinas para inocular 60% da população em África, o que custaria entre 7 e 10 mil milhões de dólares.

Acesso igual às vacinas

Dinheiro que muitos países africanos não têm. A solução: a iniciativa COVAX, lançada em abril pela Comissão da União Europeia, a Organização Mundial de Saúde e França para garantir que todos os países tenham igual acesso às vacinas anti-Covid. 46 países africanos deverão receber apoio financeiro.

Mas não basta, dizem os especialistas. Por estes dias, teme-se que a pré-encomenda de milhões de vacinas por países ricos prejudique o acesso das nações africanas a estes medicamentos.

Assistir ao vídeo 01:56

África do Sul: Experiência com HIV pode ajudar na vacinação contra a Covid-19

Numa altura em que há várias vacinas em desenvolvimento, Yap Boum, investigador de saúde pública, acredita que a solução pode passar pela escolha de uma vacina que responda às necessidades do continente. "No que toca a África, estamos satisfeitos porque vai haver muitas oportunidades em termos de diversidade de vacinas", destaca. "Não temos de nos precipitar. Temos de nos preparar para escolher que vacina vai funcionar no nosso context em termos de logística, de ambiente, mas também de população."

A UNICEF será a responsável pela distribuição das futuras vacinas em nome da COVAX. Michelle Seidel lembra que a agência da ONU para a infância tem experiência no terreno e os especialistas já se preparam para enfrentar os problemas de logística. Os países africanos estão já a receber apoio para reforçar as suas redes de distribuição – por exemplo, na actualização dos sistemas de refrigeração.

Logística e financiamento entre os desafios

O armazenamento deverá ser um dos grandes desafios. "O fornecimento de vacinas vai aumentar à medida que os fabricantes entram no Mercado e aí vamos ter restrições na capacidade de armazenamento ao nível dos países.", explica Seidel.

Mas além da logística e do financiamento, lembra o investigador Yap Boum, é preciso também contar com outro potencial obstáculo: "Prevemos alguma resistência das pessoas em receber a vacina anti-Covid-19 por causa do debate em torno da própria vacina, mas também da questão dos testes de vacinas em África."

Em abril, os comentários de dois cientistas franceses sobre possíveis testes de uma vacina contra o coronavírus em África geraram críticas em vários países africanos, indignados com a possibilidade de serem tratados como cobaias. Yap Boum afirma que a estratégia de comunicação será a chave para travar a desinformação, que pode prejudicar os programas de vacinação.

Leia mais