″Não nos surpreende″ - UNITA comenta surgimento do novo partido CASA | Angola | DW | 21.03.2012

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

"Não nos surpreende" - UNITA comenta surgimento do novo partido CASA

Entrevista com porta-voz da UNITA revela como a nova formação política que surgiu em Angola foi recebida no seio do maior partido da oposição angolana.

Fundação do partido CASA, em Angola, por Abel Chivukuvuku

Fundação do partido CASA, em Angola, por Abel Chivukuvuku

A CASA, Convergência Ampla de Salvação de Angola, foi lançada na passada quarta-feira (14.03), em Luanda. Durante a sessão, Abel Chivukuvuku, antigo líder parlamentar da UNITA e à frente do novo partido, foi o único a intervir.

O congresso constitutivo da CASA deverá realizar-se, em Luanda, nos próximos dias 03 e 04.04. A DW África falou com o porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, para saber o que o maior partido da oposição angolana pensa da desvinculação de alguns de seus militantes para a contituir esta nova formação.

Antes mesmo da morte de Jonas Savimbi (foto), havia indicações de ruptura com a UNITA, diz Sakala

Antes mesmo da morte de Jonas Savimbi (foto), havia indicações de ruptura com a UNITA, diz Sakala

DW África: Como foi que a UNITA recebeu a notícia da constituição de um novo partido em Angola?

Alcides Sakala: É uma situação que não nos surpreende, era esperada. Talvez tenha acontecido tarde demais, porque já havia indicações no passado de que haveria esta ruptura com a UNITA.

Os mentores deste processo antes da morte do doutor [Jonas] Savimbi [fundador da UNITA] já foram pronunciando neste sentido quando viram que o doutor Savimbi era uma carta fora do baralho, e que a UNITA era um manto de retalhos.

DW África: Qual é o significado para a UNITA da desvinculação de alguns de seus militantes para integrarem o novo partido CASA?

AS: A UNITA é um partido democrático, que se abre para si próprio adotando o princípio da abertura. Agora, quem achar que não pode adaptar-se a este processo de fazer política dentro da organização é livre para tomar a decisão que achar a mais apropriada para a defesa de interesses próprios.

DW África: Abel Chivukuvuku foi militante da UNITA durante 38 anos, saiu para fundar o CASA. Mas muitos outros o seguiram. Pode ser um sinal de insatisfação dentro do partido, de que a UNITA já não corresponde às expectativas de seus militantes?

AS: Não, não creio. A UNITA é um partido de tendências, que tem várias linhas de pensamentos e que apresenta suas noções de estratégia nos congressos, que se realizam de quatro em quatro anos e conforme diz o estatuto. Portanto, esta é uma tendência, diria eu.

Antes do Jonas [Savimbi] morrer já havia esta indicação. Portanto, mais tarde ou mais cedo haveria essa ruptura em relação ao que são os fundamentos ideológicos da organização. Porque a UNITA tem princípios, definidos há 46 anos, e todo um partido que subsista e continue a existir para lá da vida de seus fundadores, é porque tem de fato um projeto de sociedade.

UNITA: perda de militantes e surgimento de novo partido enfraquece a oposição?

UNITA: perda de militantes e surgimento de novo partido enfraquece a oposição?

DW África: A UNITA é o partido de oposição mais forte de Angola. Mas esta perda de militantes agora e o surgimento dessa nova formação política, CASA, podem ser interpretadas como um enfraquecimento da oposição em Angola, em geral?

AS: Não, não creio. Eventualmente sabe-se que esta nova convergência tem outras figuras de outros partidos políticos. Portanto, não é nenhuma novidade nem as saídas, nem as entradas de cidadãos nas organizações. É normal. Temos colegas que por razões diversas deixaram-nos em 1992, mas que agora integram órgãos da direção. Portanto é um processo normalíssimo.

DW África: Existe, eventualmente, a possibilidade da criação de uma frente eleitoral comum contra o MPLA [partido no poder], por exemplo?

AS: Este é um processo novo em Angola. Vamos até na terceira eleição que eventualmente poderá ter lugar este ano. Tivemos duas que correram mal. A primeira terminou num banho de sangue, em 1992. A segunda, foi em 2008, foi uma mascarada autêntica. Por isso, nós esforçamo-nos para que as próximas, previstas para este ano, sejam bem, bem organizadas.

As coligações são importantes, mas o grande problema nosso ainda em Angola, acredito mesmo em África, há a posição das lideranças, que muitas vezes têm objetivos claros, querem afirmar-se tal como se apresentam, e isso tem dificultado efetivamente criarmos as plataformas. Vamos dar tempo ao tempo.

Autora: Carla Fernandes
Edição: Cris Vieira / Renate Krieger

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados