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Movimento de supostos terroristas gera pânico em Ancuabe

20 de junho de 2026

Populares das aldeias de Nanjua e Muaja, no sul do distrito de Ancuabe, na província moçambicana de Cabo Delgado, relataram hoje momentos de pânico após a movimentação de um alegado grupo terrorista.

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 2.408 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado,
2.408 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo DelgadoFoto: Delfim Anacleto/DW

Segundo fontes locais, a movimentação ocorreu na quarta-feira ao longo da estrada nacional 14 (N14), que atravessa as duas aldeias, quando um alegado grupo armado seguia do distrito de Chiúre em direção à zona de Quissanga, provocando medo e pânico entre os residentes.

"Passaram terroristas no meio entre Nanjua e Muaja, muitos de nós vimos e fugimos" disse uma fonte a partir de Ancuabe. A fonte acrescentou que, durante a passagem, o grupo terá levado pelo menos cinco sacos de mandioca seca retirados de um campo agrícola localizado a cerca de um quilómetro da aldeia de Nanjua.

Apesar de haver registo de vítimas mortais, a movimentação gerou medo e pânico, levando residentes das zonas periféricas a deslocarem-se para o centro das comunidades, receando possíveis ataques.

"Os que vivem nas imediações saíram para os centros das suas aldeias", disse outra fonte a partir de Ancuabe. Nanjua e Muaja localizam-se ao longo da estrada nacional número 14, (EN14), fazendo limite com o distrito de Montepuez.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

Cidadãos em Ancuabe (foto de arquivo)
Cidadãos em Ancuabe (foto de arquivo)Foto: Delfim Anacleto/DW

Violência

A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) registou 11 eventos violentos nas duas primeiras semanas de junho na província moçambicana de Cabo Delgado, todos envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.632 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da organização, com dados de 01 a 14 de junho, dos 2.408 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.224 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

No relatório sobre este período de duas semanas é referido que, "após dois meses no sul de Cabo Delgado", insurgentes do EIM "começaram a regressar às suas bases em Macomia".

"É provável que estejam um pouco mais ricos, tendo passado por quatro locais de mineração informal ao longo do tempo que passaram no sul. O EIM também permaneceu ativo no norte, colocando engenhos explosivos improvisados em Macomia e no distrito de Mocímboa da Praia e entrando em confronto com um navio da Marinha moçambicana", lê-se no relatório.

Entre 01 e 04 de junho, estes extremistas "estiveram ativos em pelo menos quatro aldeias na zona de Mesa", no distrito de Ancuabe, segundo o levantamento da ACLED, que acrescenta a repetição do mesmo cenário em Mpene, a oeste, "local conhecido pela exploração de rubis, enquanto em N'naua, a leste, existe uma mina informal de ouro".

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