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Coronavirus I Impfung I West Afrika I Senegal
Foto: Leo Correa/AP/picture alliance

Moderna e BioNTech planeiam produzir vacinas em África

Martina Schwikowski
28 de outubro de 2021

As empresas Moderna e BioNTech prometem investimentos avultados para a produção de vacinas em África. Qual é o país que vai beneficiar destes investimentos?

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Em África, escasseiam as vacinas contra o coronavírus. O continente está dependente de importações. Duas empresas farmacêuticas líderes no setor, a Moderna e a BioNTech, fabricantes das vacinas mRNA particularmente eficazes, estão empenhados numa espécie de corrida para aumentar as capacidades de produção em África.

Há alguns dias, a americana Moderna anunciou que iria aumentar os esforços para encontrar um local adequado para a produção no continente.

Construção de uma fábrica de vacinas em África

A empresa alemã BioNTech, com sede em Mainz, juntamente com o seu parceiro americano, Pfizer, anunciou, esta terça-feira (26.10) que vai começar a construir as primeiras instalações de produção de vacinas mRNA em África já em meados de 2022. Para já, está planeada uma linha de produção com capacidade para 50 milhões de doses de vacina Covid-19 por ano. Para o efeito, a empresa assinou um memorando com o Governo ruandês e o Instituto Pasteur em Dakar, no Senegal. A BioNTech ainda não revelou onde exatamente será instalada a fábrica.

O cofundador da BioNTech, Ugur Sahin, prometeu: "Trabalharemos em conjunto para construir uma rede de produção regional de modo a apoiar o acesso dos africanos às vacinas produzidas em África". O objetivo é desenvolver vacinas na União Africana e construir capacidades de produção de vacinas para melhorar os cuidados médicos em África. O plano inclui vacinas também contra outras doenças, como a malária, igualmente baseadas na tecnologia mRNA.

John Nkengasong | Director of the Africa Centers for Disease Control and Prevention
O diretor do ACDC, John Nkengasong, responsabiliza os países ricos pela lacuna de ccavinas em Ãfrica Foto: Mulugeta Ayene/AP/picture alliance

Segundo John Nkengasong, diretor dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), menos de 5% dos africanos já estão completamente vacinados contra a Covid-19. Até agora, as vacinas só chegam ao continente através da iniciativa Covax (COVID-19 Vaccines Global Access) e doações.

Enquanto na Europa o problema é a recusa de muita gente de se deixar vacinar, em África está longe de ter acesso às vacinas de que precisa.

A condição é um sistema de saúde estável

A Moderna pretende construir uma fábrica em África para produzir até 500 milhões de doses de vacinas por ano. Noubar Afeyan, cofundador e CEO da Moderna, realça que a preocupação principal são as condições de trabalho.

"Precisamos de pessoal formado que nos possa ajudar com pelo menos alguns dos testes clínicos que são necessários", disse Afeyan à agência de notícias Reuters. "Temos vários países em mente que têm bons sistemas de saúde e estão muito interessados em trabalhar nesta área. Vamos identificar parceiros e investir cerca de 500 milhões de dólares na construção das instalações".

A Moderna planeia instalações preparadas para produzir múltiplas vacinas, para que, no futuro, "se houver uma pandemia - que certamente haverá - possamos reequipar as instalações muito rapidamente para produzir a vacina necessária", disse Afeyan. O empresário confirmou que tanto o Ruanda, como o Senegal e a África do Sul são locais potenciais para uma fábrica de vacinas. Mas, tal como a BioNTech/Pfizer, a Moderna ainda não parece ter tomado uma decisão final.

Infografik Karte Covid-Impffortschritt in Afrika PT

A África do Sul como plataforma giratória

A África do Sul tem capacidade de investigação médica e uma indústria farmacêutica, o Instituto Pasteur senegalês já produz vacinas contra a febre amarela e o Ruanda manifestou interesse em produzir vacinas e medicamentos. Já em Agosto, a BioNTech anunciara que estava a deliberar a construção de instalações de produção de vacinas mRNA contra a malária e a tuberculose no Ruanda e no Senegal.

Os fabricantes tradicionais de vacinas em África incluem a Biovac na África do Sul. "Nos próximos meses a Biovac procederá às mudanças de infraestruturas necessárias, para absorver a transferência de tecnologia pela Pfizer", disse Patrick Tippoo, diretor da African Vaccine Manufacturing Initiative (Iniciativa Africana de Produção de Vacinas, AVMI) na Cidade do Cabo.

Por volta de julho de 2022 será então solicitada uma licença às autoridades competentes. Uma vez concedida a licença, poderá arrancar a produção comercial da vacina contra a COVID-19. "Esperamos estar prontos no Outono de 2022", disse Tippoo à DW. Também a BioNTech almeja iniciar a produção em meados do próximo ano.

O fabricante norte-americano Johnson & Johnson também está a colaborar com a empresa farmacêutica sul-africana Aspen e já iniciou a produção de vacinas, acrescenta Tippoo. Existem várias outras parcerias. O Egito trabalha com o fabricante chinês de vacinas Sinovac desde Agosto de 2021, acrescentou.

Südafrika Covid-19 Impfung in Soweto
A África do Sul posiciona-se como placa giratória para a distribuição de vacinas em ÁfricaFoto: Siphiwe Sibeko/REUTERS

O Gana também anunciou a intenção de produzir vacinas localmente. Para que o desenvolvimento ajude a colmatar a lacuna de dois mil milhões de doses de vacinas em África, é preciso que a produção entre rapidamente no mercado. Além disso é necessário que continuem a entrar fornecimentos do estrangeiro, sobretudo no caso de haver novas mutações do coronavírus contra as quais as vacinas estabelecidas perdem eficácia.

Maior autonomia africana

Christoph Kannengießer, diretor geral da Associação Africana do empresariado alemão, salienta a importância de produzir estas "vacinas inovadoras e altamente eficazes no continente, a fim de aumentar as capacidades globais. Mas também para que a África possa deixar de ser obrigada a receber apenas o que outros lhe deixam", disse à DW.

A construção de instalações altamente complexas leva tempo, pelo que é necessária ter confiança nos parceiros em África, disse Kannengießer. Há boas possibilidades de produzir muito mais medicamentos no continente, acrescentou. Para isso é necessário que haja uma maior diversificação das cadeias de abastecimento. E é preciso encorajar parcerias mais fortes e investimentos privados, rematou.

Uma maior autonomia africana acabará por tornar os sistemas de saúde mais resilientes a nível global, disse Kannengießer. "Trata-se de um imperativo económico".

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