Moçambique prestes a dizer adeus às minas anti-pessoais | Moçambique | DW | 23.06.2014

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Moçambique

Moçambique prestes a dizer adeus às minas anti-pessoais

Em Moçambique inciou-se a III conferência Revisão da Convenção de Otava. A escolha do local deve-se ao fato de até 31 de dezembro, poder estar livre de minas anti-pessoais semeadas durante a guerra dos 16 anos.

Ação de desminagem na região do Incomati, sul de Moçambique, no ano 2000

Ação de desminagem na região do Incomati, sul de Moçambique, no ano 2000

Dos cinco países mais minados no mundo, Moçambique poderá ser o primeiro a livrar-se de minas anti-pessoais, garante o Governo. Faltam apenas clarificar 303 áreas minadas em todo o território nacional, correspondentes a uma extensão de 4 milhões de metros quadrados. Isto equivale dizer que esta área minada corresponde ao tamanho de mais ou menos toda a cidade de Maputo.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Henriques Banze, disse por isso que será possível banir as minas em Moçambique: "É um compromisso para Moçambique no sentido de concluirmos o mais rápido possível o que nos resta."

Segundo Henriques Banze "os indicadores iniciais mostram-nos que em 2014, em princípio, devemos terminar a deminagem das áreas conhecidas, seja por pesquisa feita por nós próprios, seja com a contribuição de parceiros, e particularmente das populações."

De 2007 a esta parte foram removidas cerca de 100 mil minas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, no sul, Niassa, Nampula e Cabo Delgado, no norte, e Zambézia, no centro.

Landminen in Mosambik

Adelã de Pilimo pisou uma mina e perdeu a perna

Moçambique ainda quer apoio externo

O Presidente da República, Armando Guebuza, disse que graças à colaboração dos parceiros de cooperação e principalmente das populações, foi possível acelerar a desminagem em Moçambique.

Mas Armando Guebuza quer continuar ainda com este apoio: "Gostariamos de usar esta oportunidade para convidar a comunidade internacional a continuar conosco nesta reta final em que nos encontramos, para que em conjunto possamos celebrar um Moçambique livre de minas."

Para o Presidente "o processo de implementação da Convenção de Otawa vem registando desenvolvimentos notáveis e encorajadores, encontrando-se presentemente numa fase crucial, sobretudo na perspetiva da sua universalização, desmantelamento dos seus arsenais e limpeza dos campos minados."

Quando Moçambique aderiu à Convenção era considerado um dos países mais afetados do mundo e parecia uma ilusão desminar o território nacional em menos de 15 anos.

Agora que o fim da desminagem se avizinha o país já pensa como gerir a fase seguinte, de acordo com o seu Presidente: "Neste contexto estamos empenhados em consolidar a nossa capacidade institucional da gestão das situações residuais das minas e de outros engenhos remanescentes de guerra."

Minenräumung in Mosambik

Um sapador em pleno trabalho

Como será o pós-desminagem?

Neste quadro Armando Guebuza conta os planos do seu Governo: "Apostamos na descentralização e coordenação de ação contra as minas para os niveis locais, bem como para a capacitação técnica de quadros nacionais para a execução das tarefas de destruição de outros engenhos explosivos."

A ativista Jody Williams, da Campanha Internacional de Banimento de Minas terrestres disse igualmente que Moçambique alcançou progressos inesperáveis em menos de 15 anos.

Para ela é inexplicável que o mundo continue com minas que todos os dias ceifam vidas humanas. Dai que todos sejam chamados a intervir para erradicar as minas: ”Com muita seriedade podemos trilhar bons caminhos para pôr o mundo livre de minas e construir fum uturo melhor para todos. Todos os governos e a sociedade civil devem estar de mãos dadas, criando parcerias para enfrentarem estes problemas.”

Estes pronunciamentos foram feitos nesta segunda-feira (23.06) na esteira da terceira Conferência de Revisão da Convenção de Otava, a decorrer na capital moçambicana, Maputo; até a próxima sexta-feira 27 de junho.

O evento acolhe mais de 800 delegados de mais de 150 países, incluindo os mais afetados e signatários do tratado de Otawa.

Ouvir o áudio 03:12

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