Moçambique: Membros da RENAMO voltam a contestar liderança do partido na Zambézia | Moçambique | DW | 12.02.2020
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Moçambique

Moçambique: Membros da RENAMO voltam a contestar liderança do partido na Zambézia

Em causa está a indicação por parte de Ossufo Momade de Elisa Maria Isabel para o cargo de delegada política provincial sem eleições. RENAMO justifica nomeação com novos estatutos do partido.

Mosambik Beira RENAMO-Wahlkampf (DW/Arcénio Sebastião)

Foto ilustrativa

Na província da Zambézia, vários membros e simpatizantes da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) estão descontentes com a liderança do partido e  pedem esclarecimentos ao líder Ossufo Momade.

O mal-estar entre os membros da RENAMO na província da Zambézia e a direção central do partido tornou-se evidente na semana passada, quando Ossufo Momade indicou o nome de Elisa Maria Isabel, em substituição de Abdala Ossifo, para o cargo de delegada política provincial sem qualquer votação.

No entender dos membros da RENAMO na Zambézia, a forma como a nova delegada foi indicada - sem votação - viola os estatutos do partido.

"Maioria descontente"

Em entrevista à DW, um destes membros descontentes, que não quis identificar-se, assegura que a "maioria dos membros não está satisfeita com a indicação" e que esta "vai provocar desavenças dentro do partido". "Vejo que isto nos vai criar problemas com o andar do tempo", diz.

O mesmo jovem deixa outras críticas ao partido: "nenhum membro [fiscal] da RENAMO esteva presente, durante o processo de votação, no Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) e na Comissão Nacional de Eleições (CNE). E por quê? Quem deu essa ordem? Houve um trabalho muito mal feito por isso temos poucos membros na Assembleia Provincial e na Assembleia da República, uma coisa que nunca aconteceu", diz.

Ouvir o áudio 02:54

Moçambique: Membros da RENAMO voltam a contestar liderança do partido na Zambézia

Desde que Ossufo Momade assumiu o comando da RENAMO que os membros do partido na Zambézia questionam a evolução política da sua formação partidária. Muitos deles apontam o líder como o principal culpado pela derrota da RENAMO nas eleições gerais de 2019.

"Daqui a um bocado, até as futuras eleições da RENAMO vão desaparecer. Nós não queremos um presidente que brinca connosco, queremos a verdadeira democracia. Queremos um presidente que discuta o bem-estar do povo moçambicano, não um presidente que receba gorjetas. Se ele não está a conseguir, terá de abandonar a RENAMO. Acho que Ossufo Momade devia fazer uma política que convença a população da Zambézia", sugere um outro membro do partido, que prefere também manter-se no anonimato.

Por seu lado, o chefe da Mobilização da Juventude da RENAMO, José Pedro, explica que o processo de escolha das lideranças do partido pode ocorrer por eleição ou nomeação. "Foi assim que foi indicada, para delegada provincial da Zambézia, Elisa Silvestre. Se os membros não estivessem de acordo, teriam de ter feito barulho nesse dia".

Mudança nos estatutos

Também segundo o delegado da RENAMO em Quelimane, os estatutos do partido - que preconizavam a eleição de quadros - já foram alterados. Segundo Latifo Charifo, Ossufo Momade tem autonomia para nomear quem quer que seja.

"Com os novos estatutos do partido, o presidente tem a prerrogativa de indicar os delegados políticos provinciais. No congresso que tivemos no ano passado, foram aprovadas as diretrizes que indicam que [essa] prerrogativa. Não há eleição. As pessoas que falam isso não conhecem os novos estatutos do partido, é preciso lê-los", alerta.

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