Moçambique: Conflito interno na RENAMO ameaça tornar-se violento | Moçambique | DW | 13.06.2019
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Moçambique

Moçambique: Conflito interno na RENAMO ameaça tornar-se violento

Quando devia concentrar-se nas eleições gerais de 15 de outubro, a RENAMO enfrenta um conflito interno que ameaça desestabilizar o maior partido da oposição.

O porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana, RENAMO, José Manteigas, desvalorizou acusações de um grupo dissidente contra o presidente do partido ao afirmar que "Tudo isso é falsidade. É tentativa de perturbar a RENAMO", disse Manteigas. Os guerrilheiros armados em torno de Mariano Nhungue Chissingue dizem que o líder da RENAMO, Ossufo Momade, é responsável pela morte de um entre eles, um brigadeiro de nome Isaías Josefo. E acusam Momade de perseguir os homens de confiança do falecido fundador da RENAMO, Afonso Dhlakama. Manteigas afirma que tudo não passa de calúnias e que na Serra da Gorongosa, baluarte da RENAMO, reina a calma.

Acusações de assassínio

Um grupo de guerrilheiros do principal partido da oposição em Moçambique exigiu, na quarta-feira (12.06.), a demissão de Ossufo Momade da presidência da RENAMO. Em entrevista a jornalistas na Gorongosa, os homens armados com AK 47, alguns fardados e outros à civil, disseram estar em fuga de uma alegada perseguição protagonizada pelo líder do partido. Mariano Nhungue Chissingue, que se apresentou como comandante do grupo, acusou Ossufo Momade de mandar prender, torturar e até matar colegas de guerrilha: "O nosso brigadeiro Josefo foi morto no dia 3, segunda-feira passada," disse Chissingue,e que a vítima foi baleada por cinco vezes a mando do líder do partido.

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Conflito interno na RENAMO ameaça tornar-se violento

A DW não pôde verificar as denúncias de forma independente. A família de Isaías Josefo diz desconhecer o paradeiro do brigadeiro desde 11 de março. Um dos membros da família, Araújo Tique, disse à DW: "Ele disse que ia para a formatura. Depois da formatura ligou e disse que já estava preso". A partir desse momento a família deixou de poder comunicar com o brigadeiro."Estamos preocupados, porque não sabemos se ele morreu", acrescentou. 

"Se ele não sair, nós vamos matá-lo”

Reagindo à alegada perseguição, o guerrilheiro Mariano Nhungue Chissingue prometeu retaliar: "Neste mês de julho, de 10 a 15, vamos juntar-nos e escolher quem vai ser o nosso presidente”, disse o guerrilheiro na quarta-feira, acrescentando: "Com Ossufo nunca mais. Se ele não quiser sair, nós vamos matá-lo. Se ele matou o nosso colega, vamos atacar Ossufo. Estragou o nosso partido, matou o nosso brigadeiro, que serviu o povo durante oito anos".

Eleições à porta

Os guerrilheiros recusam entregar as armas enquanto Ossufo Momade não sair do cargo. Mas o porta-voz da RENAMO, José Manteigas, que apela à calma, diz que tudo não passa de uma "encenação caluniosa e grosseira". Acrescenta que "o ónus da prova recai sobre o acusador" e chama a Mariano Nhungue Chissingue um "desertor" do braço armado do partido, exigindo provas para as acusações.

O porta-voz da RENAMO afirma que o partido está focado nas eleições gerais de 15 de outubro, com Ossufo Momade como o candidato do partido à Presidência de Moçambique.

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