Moçambique: Albinos continuam a ser perseguidos e discriminados | Moçambique | DW | 13.06.2019
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Moçambique

Moçambique: Albinos continuam a ser perseguidos e discriminados

Assinala-se esta quinta-feira o Dia Mundial de Consciencialização do Albinismo. Em Moçambique, os albinos continuam a sentir-se discriminados pela sociedade, são alvos de perseguição e vítimas de rapto.

Emem diz que, todos os dias, é discriminada por colegas na escola: "Alguns nos olham como se fôssemos um obstáculo na vida deles", afirma a jovem de 14 anos.

A discriminação de que crianças e jovens albinos são alvo deixa marcas para a vida, alertam ativistas dos direitos humanos. A Human Rights Watch (HRW) divulgou esta quinta-feira (13.06) um relatório em que denuncia que, na província central de Tete, por exemplo, "as crianças que vivem com o albinismo […] são amplamente discriminadas, estigmatizadas e frequentemente rejeitadas na escola, na comunidade e, por vezes, pelas suas próprias famílias".

Segundo a organização Amnistia Internacional, mais de 30 mil albinos foram discriminados e marginalizados em Moçambique, em 2018.

Emem diz, no entanto, que há colegas que a apoiam: "quando eu estou com eles, esqueço que sou albina… Esqueço esses problemas e brinco".

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Discriminação e necessidades especiais

As escolas são palco habitual de discriminação contra as pessoas com albinismo. A vendedora Isabel José conta que, quando era mais nova, também enfrentou este problema e chegou a pensar em abandonar as aulas. Mas os irmãos "disseram não, vai para a escola…", convencendo-a a ficar.

Além do problema da discriminação, muitas escolas também não têm material adequado para as crianças e jovens albinos com problemas de visão, segundo a HRW.

"Os estudantes com albinismo que também têm baixa visão não têm acesso a materiais de aprendizagem apropriados, como livros escolares grandes, tempo extra para exames ou lugares junto ao quadro", refere a organização.

Raptos

Outra questão que preocupa os ativistas e as autoridades são os raptos frequentes de albinos. Os responsáveis por esses crimes acreditam que os órgãos das pessoas com albinismo têm poderes mágicos. Em 2015, ano em que houve um maior número de casos, foram registados pelo menos 100 ataques, de acordo com a HRW.

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Moçambique: Albinos continuam a ser perseguidos e discriminados

A organização refere no relatório divulgado esta quinta-feira que "ao tomar medidas para garantir que as crianças com albinismo possam receber educação enquanto continuam investigando e processando os responsáveis pelos ataques, Moçambique tem a oportunidade de demonstrar ainda mais o seu compromisso em garantir a segurança, a inclusão e a dignidade das pessoas com albinismo".

A Associação dos Albinos de Moçambique tem sido uma das organizações a promover campanhas e palestras contra o estigma, os estereótipos e a discriminação.

"Como temos visto na nossa sociedade, os albinos são discriminados na rua, no emprego - quando nasce um albino numa família é visto como se fosse um castigo. São discriminados na rua e no emprego", diz Alda José, membro da associação.

O Governo tem dado ajuda às pessoas com albinismo - por exemplo, para fornecer protetores solares, segundo a Associação dos Albinos de Moçambique.

É um cuidado muito necessário, afirma outro membro da associação, Idina Mussagy: "Há mães que, por necessidade, levam os seus filhos a fazer certos trabalhos, como controlar uma banca. Então, é necessário apelar a essas mães para terem cuidado com a pele."

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