Moçambicanos pedem ″mais controlo″ e ″mais sensibilização″ contra Covid-19 | Moçambique | DW | 29.05.2020
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Moçambique

Moçambicanos pedem "mais controlo" e "mais sensibilização" contra Covid-19

O Presidente Filipe Nyusi decidiu prorrogar o estado de emergência, e as próximas semanas serão cruciais para determinar um possível relaxamento das medidas. Mas muitos cidadãos continuam a desrespeitar as regras.

Ao anunciar o prolongamento do estado de emergência por mais um mês, na quinta-feira (28.05), o Presidente Filipe Nyusi afirmou que persistem fragilidades em Moçambique e que os próximos 15 dias serão cruciais para começar a pensar no relaxamento das restrições. No entanto, muitos cidadãos continuam a não respeitar as medidas para travar a propagação da pandemia.

Há sessenta dias que Moçambique está em estado de emergência, e há sessenta dias que há transgressões. Os aglomerados de pessoas continuam, sobretudo nos mercados, os transportes públicos continuam lotados e há restaurantes que têm aberto as portas de forma clandestina.

Andaque Albino, jornalista em Inhambane, avisa que, se as autoridades continuarem de braços cruzados, há o risco de uma "catástrofe".

"Nos mercados, há um grande trabalho que tem que ser feito, porque o distanciamento ainda é um problema, o uso de máscaras também. As pessoas estão praticamente a ignorar a questão das medidas de prevenção emanadas no estado de emergência. As autoridades deviam trabalhar um pouco mais, para fazer com que as pessoas cumpram", disse Albino em entrevista à DW África.

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"Forças policiais devem atuar"

Artur Gove, residente do distrito de Jangamo, também está preocupado com o incumprimento das medidas de prevenção. Até agora, houve registo de três casos positivos de Covid-19 na província, uma das pessoas está internada. Ao todo, no país, já há 234 infeções confirmadas. Para Artur Gove, a desobediência às medidas implementadas pelo Governo é o que está a fazer aumentar o número de casos.

"Se as pessoas não estão a cumprir, estão a desobedecer à ordem do Governo, as forças policiais devem atuar para a população poder cumprir os mandamentos presidenciais".

Manuel da Cruz, padre católico no distrito de Morrumbene, também diz à DW que o Governo tem de agir: "Restringir ao máximo o movimento e, como é pertinente, tem que realmente fazer o seu trabalho como Governo, impedir no máximo, até onde se pode."

Num caso, pelo menos, as autoridades moçambicanas já foram longe de mais, segundo o Centro para a Democracia e Desenvolvimento. Esta sexta-feira (29.05), a organização não-governamental pediu esclarecimentos sobre a morte de duas pessoas num tumulto, no início da semana, na província do Niassa, que envolveu a polícia e um grupo de religiosos. Em causa, as restrições do estado de emergência. A polícia disse que as vítimas foram alvejadas de forma acidental.

"Mais sensibilização"

Em Inhambane, o primeiro secretário provincial da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) diz que é preciso intensificar a campanha de sensibilização das pessoas para os riscos do novo coronavírus, "por forma a aderir massivamente na observância e cumprimento das medidas de prevenção."

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A sensibilização deve ser feita sobretudo nos locais que apresentam maior perigo, segundo João Muchirre: "Para isso, nós, sobretudo neste momento, preferimos os aglomerados incontroláveis, preferimos os mercados, as praças, entre outros locais, onde a população se está sempre a aglomerar."

Raúl Nguenha, porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) em Inhambane, afirma que, uma vez que as pessoas não ficam em casa durante o estado de emergência, será preciso mudar de estratégia.

"Não basta só prolongar mais trinta dias, temos que difundir mais as mensagens de sensibilização, para as pessoas perceberem que temos que colocar a máscara como medida de prevenção, lavar sempre as mãos. As forças de defesa e segurança devem-se preocupar em fiscalizar o distanciamento, assim como a utilização das máscaras", afirma Nguenha.

Por outro lado, Joel Jeremias, delegado do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) na cidade de Maxixe, aponta para as falhas cometidas pelo Ministério da Saúde: "No primeiro caso que acusou positivo, o Governo podia ter o sistema de isolar de imediato estas pessoas, colocando-as em quarentena hospitalar, não quarentena domiciliária."

Para o delegado do MDM, uma solução seria a introdução de um recolher obrigatório, para "proteger as pessoas".

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